Novo espaço para Pagu no Saboó

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Novo espaço para Pagu no Saboó

Patrícia Galvão, Pagu, está agora em um novo jazigo solo no Cemitério Filosofia (Saboó), em Santos. A jornalista e escritora, que passou seus últimos dias em Santos, ao lado do jornalista e escritor Geraldo Ferraz, ocupa desde esse domingo (8) um jazigo horizontal, próximo à entrada do cemitério, pertencente à Administração Municipal e construído em mármore.

A solenidade em homenagem a Pagu foi realizada nesse cemitério, especialmente no Dia da Mulher, data ideal para celebrar a vida de quem tanto lutou pela liberdade, pela história e pela cultura. A iniciativa foi da Coordenadoria de Cemitérios, vinculada à Secretaria das Prefeituras Regionais, liderada por Elen Miranda, que abriu e dirigiu a cerimônia com muita emoção.

Como biógrafa oficial de Pagu e autora de quatro livros sobre ela, a Dra. Lúcia Teixeira foi convidada a falar e destacou: “Ser mulher, ser livre para pensar, para falar, para exercer os direitos e para defender os direitos dos mais humildes, mulheres e homens, dar a volta ao mundo sozinha e querer o melhor para o Brasil: tentaram calar sua voz, mas não conseguiram. Mas, como ela falava, não gostava de caminhos fáceis. E as mulheres também não.”

Lúcia recordou que, em 1989, sua família fez uma cerimônia simples na campa em que Pagu ficava ao lado de seu companheiro Geraldo Ferraz, “com quem venceu tantos caminhos juntos”. “Desde que ela surge no movimento antropofágico, o primeiro rótulo foi de musa do movimento. Ela foi mais do que musa: jornalista, militante política, cultural, escritora. Foi a primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos, depois da Independência. E ficou em nossa Casa de Câmara e Cadeia, terminando sua vida nesta janela para o mar que ela tanto amava, perto do porto de Santos, da maresia e da praia, que chamava de Hotel das Estrelas”.

Para Lúcia, é preciso agradecer o que Pagu nos deixa de legado e dizer que ela também nos cobra ações de continuidade para uma sociedade humanizada, pela literatura e cultura, com perseverança e autocrítica, para que pensemos melhor. “Então, Pagu, seu esforço generoso do bem e do amor e seus ideais estão presentes em todos que estão aqui, e pelos quais ainda vale a pena viver”, finalizou.

Participaram da solenidade Rivaldo Justo, secretário das Prefeituras Regionais; Nina Barbosa, secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos; Leda Rita Cintra Castellan, escritora e ex-nora de Pagu; e Suzete Faustino, diretora de Departamentos Humanos da Prefeitura.

Todos ressaltaram a importância e os impactos de Pagu para a nossa cidade e para a cultura brasileira.

Jazigo

A campa está próxima a uma área ajardinada, logo na entrada, ampliando a visibilidade e facilitando a visitação. No local está afixada uma placa de acrílico (40 x 60 centímetros), com botões de inox, contendo a frase de autoria da escritora (“Sonhe, tenha até pesadelo se necessário for, mas sonhe”), além de fotografias e um QR Code que dará acesso a um site especial sobre sua trajetória: www.santos.sp.gov.br/?q=hotsite/pagu. Ao lado, também há um QR Code direcionado para o site www.pagu.com.br, da Unisanta.