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Santos surge na vida de Pagu sob o signo do amor. A cidade que, segundo o marido Geraldo Ferraz, era a "que mais amava", foi descoberta por ela -- após passeios de férias na adolescência -- quando, em setembro de 1929, aos 19 anos, finge casar-se com Waldemar Belisário e escapa, a partir do alto da Serra do Mar, para uma pensão no bairro do Gonzaga, a bordo do automóvel do então apaixonado Oswald de Andrade. Mais tarde, os dois iriam morar na ilha das Palmas, na entrada da barra, que ela descreveu como "o tempo mais feliz da minha vida".
Em 1940, sua segunda lua-de-mel, agora com Geraldo, também foi vivida em Santos, quando ela, em frangalhos, é libertada da prisão e vai morar ao pé do Monte Serrat, num pequeno apartamento de sobreloja.
Como se lê em "Paixão Pagu", um fato decisivo para sua militância política também acontece numa praça santista, a da República. É 1931, 18 de agosto. Num comício do Partido Comunista em homenagem a Sacco e Vanzetti, Patrícia está no palanque e a polícia invade a praça. Os tiros da polícia getulista fazem o estivador negro Herculano morrer em seus braços, o que a marcaria para sempre.
Nos seus tempos de agitadora mais intelectual que política, agitou os mares da vanguarda teatral e literária na cidade, desde o jornal "A Tribuna", na Rua General Câmara, às mesas do bar Regina, quando a avenida Ana Costa desagua na Praca da Independência, passando pelos palcos e escolas da cidade. Nos intervalos, ela nunca deixava de dar um passeio pela Ponta da Praia, entre lembrancas das travessias a nado do Canal e dos tempos agitados dos anos 30, em que morou ali com uma comunidade de pescadores. O mar, sempre o mar, era uma sua fixacão, até no peixe cru que comia, apanhado diretamente na rede que chegava à praia. O mar, em cuja proximidade está, repousando finalmente, no cemitério do Saboó, uma cidadã do mundo, cuja capital, para ela, ficava entre os canais e a beira deste mar santista. (G.G.F.)
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