Morre Geraldo Galvão Ferraz, filho de Pagu

A missa de 7º dia será realizada no sábado (16/02), às 17h, na Igreja de São Gabriel, Avenida São Gabriel, 108 — Itaim Bibi — São Paulo.

É com muito pesar que comunicamos o falecimento do Geraldo Galvão Ferraz, aos 72 anos, filho mais novo de Patrícia Galvão, com o jornalista Geraldo Ferraz. Geraldo morreu na noite desta última sexta-feira, 9/2, de infecção. Ele sofria de hipertensão e diabetes e estava hospitalizado, na cidade de São Sebastião (São Paulo), onde morava nos últimos meses.

Para a biógrafa de Pagu e presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Lúcia Maria Teixeira Furlani, o falecimento do amigo e grande jornalista cultural foi muito sentida.

“A cultura e o jornalismo estão de luto desde o dia 8/2, pelo falecimento do Geraldo, o Kiko. Um grande jornalista, editor de alguns dos principais veículos do Brasil, tradutor, crítico literário e que também chegou a ser coordenador do Centro de Estudos Pagu Unisanta. Kiko foi um grande amigo, desde nosso primeiro contato, em 1988, quando lancei meu primeiro livro sobre Pagu. Ele me entrevistou para a revista Cláudia, da qual era editor e, a partir daí, participamos de muitos projetos juntos. Ele me chamava carinhosamente de Miss Lucy. Como nos romances policiais, Miss Lucy, segundo ele, era a identidade da detetive que desvendava o passado da mãe, elucidando a verdade e os fatos escondidos ou deturpados durante tanto tempo. Inteligente e dono de grande conhecimento, tinha sempre uma observação perspicaz sobre os fatos da vida e da cultura, o que se refletia em seus textos. Morreu na sexta-feira de Carnaval, como conviria a um carnavalesco. Com seu sorriso manso, reunido está a seus pais Patrícia e Geraldo, em uma morada espiritual mais alegre e feliz ”, disse Lúcia.

Lúcia está em entendimentos com a família para que, após três anos, prazo legal para transferência, o corpo de Geraldo seja trazido para Santos, junto ao túmulo de seus pais, Pagu e Geraldo Ferraz, no cemitério do Saboó, em Santos.

Histórico – Geraldo Galvão Ferraz era jornalista, crítico literário e tradutor. Passou pelas redações de O Estado de S.Paulo, Veja, Isto É, Playboy, Claudia, Jornal da Tarde, revista Cult, entre outros, exercendo múltiplas funções, de repórter a editor. Recebeu vários prêmios, entre eles dois Jabutis. É autor do Livro, ferramenta de progresso (Câmara Brasileira do Livro) e de A empolgante história do romance policial (Nova Cultural) e co-autor de Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão, ao lado de Lúcia Maria Teixeira Furlani. Foi coordenador do site www.pagu.com.br e do Centro de Estudos Pagu Unisanta.


Textos de jornalismo de Pagu em A Tribuna e Diário de SP

Divulgamos hoje, dia 12/12/12, ao ensejo dos 50 anos da morte de Patrícia Galvão, dois textos do jornalismo.

O primeiro, publicado em Diário de SP, na coluna Fanfulla de Literatura e Arte, em “Contornos e desvãos de um panorama sumário”, de 15 de outubro de 1950; o segundo “Somos os filhos dos anos terríveis da Rússia”, com o pseudônimo de Mara Lobo, em A Tribuna, em 11 de janeiro de 1959.

Ambos falam muito da consciência do escritor, valor a ser perpetuado naqueles tempos, décadas de 40 e 50, e mais ainda, nos atuais.

Tenham uma ótima leitura!

Lúcia Maria Teixeira Furlani

Contornos e desvãos de um panorama sumário
Patrícia Galvão, 15 de outubro de 1950, Diário de SP

Reclamava ainda há pouco o mestre (jovem mestre) Antônio Cândido, no pequeno semanário dos socialistas, a falta hoje de uma “literatura moderna” no Brasil. Antônio Cândido é da geração dos que cresceram num tempo em que havia “literatos” modernos, o motivo suficiente de se acreditar então numa literatura moderna. A própria designação hoje é tida por suspeita. Pois não é. Moderna mesmo deve ser dita, para se entenderem as coisas na porção polêmica e pesquisadora que significam, quando se trata de uma literatura como a desejada.

Moderno é um crítico como Roberto Alvim Corrêia. Leiam dele “Anteu e a crítica”, ensaios literários editados por José Olympio, em 1948, resultado da atividade que desenvolveu em jornais do Rio, depois que a maré nazista o jogou para este lado do Atlântico. A literatura desejada, Roberto Alvim Corrêia não a encontrou no Brasil. Leiam-se os seus ensaios literários. Entrando com lambugem de editor moderno em Paris – onde venceu: plantou as “Editions Corrêia. 166, boulevard de Montparnasse, 14.e” – leiam-se os seus ensaios literários e se verá o “despaisamento” dele, a sua quasi indiferença ao analisar os nossos “modernos”, um Murilo Mendes, uma Cecília Meireles, um Manuel Bandeira, na poesia, e uns prosadores tão pobres que me dá pena citar. Pois a literatura desejada está para Roberto Alvim Corrêia noutro ponto do mundo. Nas páginas de “Anteu e a crítica”, Alvim Corrêia nos fala do mundo que perdeu, na parte dos estudos franceses, e estudando Malarmé, Proust, Mauriac, Bernanos, Charles du Bos, Gide e Roman Rolland se vê como consegue ser bem o crítico moderno…

Naturalmente, não podemos ser uma literatura francesa…

Mas, por imprescindível aproximação pela sua complexa variedade na realização total do que se deve entender por uma “literatura”, na sua riqueza clássica e na sua transformação, quanto nas suas vibrações modernas – não resta desconfiança nenhuma que aprenderemos muito se começarmos vendo o que houve, como começaram, o que fizeram os franceses. Não há mal nenhum, nem o de uma ambientação “afrancezadora” de nossa literatura. Afinal, há tanto perigo nisto como nos automóveis, no bonde da Light, nas meias nylon ou no cinema com miados e ganidos em inglês, mastigado por Hollywood, “hello baby!”

O mal, é o da falta de informação, o que deu é a queixa de Antônio Cândido, enquanto o sr. José Lins do Rego continua fazendo seu romancinho naturalista e outros, mais avançados, como o mineiro Ciro dos Anjos, copia o nhanduti de Machado de Assis.

O mal é o da falta de informação, e ainda é Roberto Alvim Corrêia que vai me dar ajuda. Pois acaba de ser convidado este insigne e prestante cidadão pelo diretor do Serviço Nacional do Teatro para fazer uma conferência sobre Jean Cocteau, no Rio. Uma conferência que explique Cocteau; e que por isso terá como tema “Presença de Jean Cocteau”. Mas a conferência apenas não basta. Então, assim que Roberto Alvim Corrêia acabar a sua explanação sobre Cocteau, haverá uma representação de uma peça em um ato do mesmo poeta, “Le Bel Indifférent”. E no hall, antes e depois, poderão os interessados ver maquetes de montagem e peças de Cocteau, elaboradas pelos alunos de Decoração Teatral do Serviço Nacional de Teatro, tudo dentro de um mesmo espírito, de polêmica e pesquisa para a informação necessária. Então refletindo em tudo isto, ou se deixando levar por tudo isto, deixando-se “embeber” pelas coisas que estão na vida e na poesia de Cocteau, no seu teatro de poesia, na interpretação que dará o crítico admirável, das linhas musicais e sugestivas de Cocteau, no seu teatro de poesia, na interpretação que dará o crítico admirável, das linhas musicais e sugestivas de Cocteau – e por falar em música chegaremos até Satie, que Cocteau representou e defendeu em Paris de 1912 (nesses tempos heróicos), com a cantora brasileira Vera Janacopulos, que não deixou de ser brasileira por isso – então, trabalhada toda a sensibilidade por um só dos poetas mais valiosos da França, sentiremos a necessidade de fazer alguma coisa também, de, pelo menos, sentir e vibrar com as suas descobertas e investigações, pelo terreno da aventura…

Mas os nossos poetas e escritores, os pintores e os ilustradores, os cenógrafos, não querem nada senão a ordem.

É por causa dessa mania da ordem que não se faz coisa com coisa. E a literatura desejada não aparece, senão na circunstância de termos em Clarisse Lispector uma grande escritora que ninguém lê porque é difícil. Muito bem. Não se lia também nem se editava nada que cheirasse a moderno de outros países: um Faulkner só nos entrou em casa e numa desgraçada tradução, por via da aventura editorial do IPE – mas a livraria do Globo continua a nos dar além de Faulkner, e melhor traduzido, Joyce e Proust, Virginia Woolf e outros. Já leram e gostaram e nem perceberam. Pois é.

Contra a ordem, portanto, nesse panorama tão igualzinho e vulgar, para que haja uma outra linha mais nova na paisagem, um rasgo no horizonte, mesmo rasguinho, quando, não possa ser um rasgão.

O Portinari que me desenhava a fisionomia dezenas e dezenas de vezes para fazer um quadro já não é o mesmo Portinari de hoje, certo de sua glória – embora eu pense que ele deveria, em vez da glória e do dinheiro, buscar a arte… Pois Portinari daquele tempo que dava tanta esperança e que era um artista pobrinho, num apartamento de Laranjeiras, dessas casas coletivas quase improvisadas, Portinari que arriscava, perdeu ao ser colocado em mural no Ministério de Educação. Ali o engrandeceram, o monopolizaram, o enquadraram dentro da ordem que ele acabou fazendo tudo certinho , e no final essa coisa carnavalesca que é o painel de Tiradentes. Daí, diante da análise de Mário Pedrosa, Portinari não aguentou e fugiu para Paris, onde não se teve mais notícia dele. E quem sabe se poderá refletir longe das bananeiras e das palmeiras e acabará mesmo se ilustrando e voltando, tomara que aconteça, aos tempos de aventura. Por que riscar seu nome com um traço negro de desesperança?

Agora, por falar em Laranjeiras, ali tem uma outra literatura para a referência deste panorama que quer ser geral, de artes e literaturas, e vos falarei sumariamente das casas de Lúcio Costa, espírito e imaginação, melhores do que Oscar Niemeyer, atrás do qual foi se escondendo, devido à ligeireza e à audácia deste. Uma architetura moderna brasileira surge agora em Laranjeiras pela mão de Lúcio Costa, há vinte anos buscando formar uma escola brasileira, para o que primeiro pediu aqui a intervenção do arquiteto Warchavchik, cuja história está em impressão graças a iniciativa editorial do Museu de Arte.

Literatura, poesia, teatro, música, pintura, architetura – na obrigação “moderna” (em sentido dialético como o emprega Pierre Naville), eis alguns contornos e desvãos de um panorama sumário, que pouco a pouco iremos detalhando, se nos permitir um bocado de persistência na tarefa, esta coluna aberta sobre o domingo dos leitores eventuais.

Somos os filhos dos anos terríveis da Rússia*
MARA LOBO, 11 de janeiro de 1959, A Tribuna

“Terrível é a grandeza da palavra, e em seu nome deverei morrer”, escreve nos versos finais de sua paixão Iuri Jivago, o personagem de Boris Pasternak, afinal, em edição brasileira (Editora Itatiaia, Edições Tapir Belo Horizonte, impresso em dezembro de 1958), o último dos grandes livros do ano, o “best-seller” mundial, que valeu ao seu autor o Prêmio Nobel de literatura este ano.

Terrível é a grandeza da palavra!

Efetivamente, foi contra a palavra que se processaram todos os movimentos dos pseudo-escritores soviéticos quando se ficou sabendo, na União Soviética, que o livro de Pasternak havia rompido a “cortina de ferro” e saíra pelo mundo contando o que o poeta calara em seu retiro e refreiara entre as suas traduções, para poder continuar vivendo e levantando em toda a parte a sua terrível grandeza, a Palavra… Terrível grandeza!

Sem dúvida, o facho foi passado, e, infelizmente, não às mãos de uma jovem geração. Talvez “O Doutor Jivago” tenha, então, de ser a última palavra da literatura russa antes da catástrofe. O facho foi passado, exatamente nesse último mês do ano quando Gladkov também fechou os olhos. O romancista dos anos terríveis, os anos do “comunismo de guerra”, das páginas épicas de “O cimento” era Gladkov. Depois dele, surgiram alguns livros, mas eram sempre as palavras “dirigidas” e meditadas depois da crítica que Radek fez ao manuscrito de Pliniak, “O volga desemboca no Mar Cáspio”, a história romanceada da grande barragem, com que os homens consertaram a natureza, escrevia Radek no prefácio: “Que notáveis são estes literatos! Como Pliniak recompôs as páginas depois da crítica que dele fiz!” Como se isso não invalidasse completamente a obra de Pliniak. Mas com Gladkov e com Pasternak, quarenta anos depois, não: era a terrível grandeza da Palavra que se achava em jogo.

Então morre Gladkov, e um dos grandes dos primeiros tempos ainda sobrevive. Sobrevive o poeta Pasternak à morte inglória de Alexandre Blok, na grande fome de 1921: ao suicídio de Essenio, o trágico poeta que a Revolução quis transformar num burocrata das letras e que se matou por isso: ao suicídio do que era considerado a voz de toda a Rússia, de todas as Rússias, o grande Maiakovski – por favor não comentem a minha morte!

Passa o facho das mãos do romancista de “O cimento” para as de Pasternak o romancista de “O doutor Jivago”.

Três tradutores arrastaram a imensa tarefa em tempo recorde: Oscar Mendes, Milton Amado e Heitor Martins para as poesias do trecho duma das histórias de Jivago, que é a história da URSS, que é a história do poeta Pasternak…

Estamos, então, diante de um momento circunspecto da literatura mundial. O drama do escritor o coloca em toda a sua amplitude Pasternak é o fim da literatura durante a ditadura. Um sopro de liberdade entrou pelas frinchas da cortina agitou-se cá fora… Quando em 1953 morreu Stalin, o degelo do imenso inverno stalinista pareceu derreter algumas resistências: Ilia Ehremburg essa velha raposa, lançou-se imediatamente à aventura: em algumas semanas lançava o manifesto da nova palavra – “O degelo”, romance que deveria abrir uma época seguiu-se “Nem só de pão vive o homem” que não teve a força necessária para romper a prevenção mundial. Só com “O doutor Jivago”, a terrível grandeza da Palavra se levantaria em sua sagrada força de azorrague contra os vendilhões: “Viver uma vida não é atravessar um campo”, quando tudo afunda no farisaismo – e estamos citando as palavras mesmas do texto de Pasternak.

Pasternak é o fim, escrevemos acima, porque ele representa no duro mesmo, a última respiração da literatura em clima soviético. Não haverá mais nem haverá outro. As precauções estão tomadas, não haverá mais. A esta píncaro se sobe uma vez cada século. A consciência do escritor impede que o governo soviético, o governo de força da União Soviética, deixe-se adormecer uma vez mais. Agora nunca mais. Pasternak é o fim.

*Alexandre Blok, poeta russo, 1880-1921, previu nesse verso o que viria depois para a intelectualidade russa.


50 anos da morte de Pagu

Por Lúcia Maria Teixeira Furlani*

Patrícia Galvão, a Pat, a Pagu, morreu há 50 anos, em Santos, onde deixou marcas inesquecíveis. Nascida em São João da Boa Vista, Santos sempre foi uma espécie de norte, tanto para sua vida como para seu trabalho e obra.

É para cá que vem, de São Paulo, aos dezenove anos, em lua de mel com o pintor Waldemar Belisário e, na estrada, no alto da serra, troca de carro e de noivo. O apaixonado Oswald de Andrade assume o papel, vivendo dias românticos com Pagu em uma pensão no bairro do Gonzaga.

O casamento com Waldemar é na verdade uma farsa arquitetada para que Pagu fuja de casa e do controle familiar e prevê a separação do casal logo após a cerimônia.

O plano conta com a ajuda de Oswald de Andrade e de sua mulher Tarsila do Amaral, que não imagina o envolvimento amoroso do marido com Pagu.

Desde a adolescência Pagu mantém afinidades com a cidade, onde passa férias em família e realiza travessias do Canal a nado.

Desse mesmo porto de Santos, ela parte para Buenos Aires, três meses após o nascimento de seu filho com Oswald, Rudá de Andrade. Pretendia estar acompanhada do marido e do filho, mas, decepcionada com as aventuras extraconjugais do companheiro, viaja, sozinha, para participar de um congresso de poesia como Embaixatriz da Antropofagia.

Leva uma carta para Luís Carlos Prestes, mas só encontra um amigo dele. É a primeira de suas muitas viagens a países estrangeiros, sempre partindo desse porto. Volta carregada de livros marxistas e propaganda comunista.

Adere de corpo e alma ao Partido Comunista e edita, com Oswald, o jornal O Homem do Povo. Perseguida pela polícia e doente, pede a Oswald para vir a Santos, a fim de que ela e o filho recuperem a saúde. Em um quarto alugado no bairro do Boqueirão, passa com o filho alguns dos momentos mais felizes da vida. Depois disso, na vida tumultuada que viveu, pouco pôde conviver com Rudá, do qual ficaria separada por muitos anos, com grande sofrimento para ambos. Rudá morou desde pequeno com o pai e suas várias esposas, sendo criado também por Nonê, primeiro filho de Oswald.

Em Santos, Pagu participa de reuniões do Sindicato da União dos Trabalhadores da Construção Civil e da organização do Socorro Vermelho, ramo partidário de apoio a grevistas e militantes.

É presa no movimento ilegal dos trabalhadores e reconduzida a São Paulo, mas para cá volta, enviada pelo Partido. Mora no bairro da Ponta da Praia, em um quarto alugado do chalezinho de dona Maria, na avenida Rei Alberto I, 367. Esta e sua família se tornaram personagens do livro A Escada Vermelha, de Oswald de Andrade, e de crônicas de Pagu no Jornal A Tribuna. Dona Maria também acolhe o casal em outra oportunidade, no refúgio na Ilha das Palmas, colada à Ilha de Santo Amaro (Guarujá), mas igualmente em Santos.

Dona Maria não sabia das atividades políticas de Pagu, quando lhe alugou um quarto.

Foi uma surpresa descobrir que aquela moça de vinte e dois anos, bonita, meiga, de cabelos encaracolados, que brincava e nadava com as crianças, anda com uma arma na bolsa.

Quem acha o revólver é Oswaldo, sobrinho de dona Maria. Pagu parecia estar fugindo e pediu ao menino que escondesse sua bolsa. É muito pesada, a criança quer ver o que tem dentro. Leva um baita susto. Outro susto toma dona Maria, quando abre o quarto de Pagu, após a moça ter desaparecido alguns dias. O cômodo está cheio de panfletos vermelhos, que a senhora trata de esconder no forro da casa. Quando a polícia vai revistar o local, em busca de provas contra a militante, lá nada encontra.

Foi o que me contou Luiz Alonso Ferreira, neto de dona Maria.

O Brasil começou nesta região, assim como as lutas abolicionistas e republicanas. Santos é conhecida também como Barcelona brasileira e por tantos outros títulos originados do passado de lutas sociais, travadas em históricos lugares 132. Cidade onde Pagu viveu, amou, sonhou, trabalhou, militou política e culturalmente.

Assim como o poeta Ribeiro Couto, que nasceu junto ao porto e se referia ao inesquecível e embriagante aroma de café dessa cidade marítima, Pagu amava o cheiro dessa terra cálida, úmida e quente, com seu típico vento noroeste e seu cheiro de maresia, misturado com café, azeite, peixes fritos, que exalava quando caminhava pela Rua Xavier da Silveira e por outras da “Boca” de Santos.

Lá participa de reuniões comunistas — inspirada principalmente pelo estivador negro Herculano de Souza, com quem divide moradia, na rua Teixeira de Freitas, 66, e a quem atribui sua conversão ideológica — e é a primeira mulher presa na luta política e revolucionária, na Praça da República. Fica detida na “pior cadeia do continente”, hoje denominada Cadeia Velha, na Praça dos Andradas. Essa é a primeira das vinte e três prisões de Pagu por motivos políticos.

Santos guarda similaridades com Barcelona e Buenos Aires: libertárias, portuárias e berços de grandes clubes de futebol — Santos Futebol Clube, Barcelona e Boca Junior.

O antigo espaço boêmio das boates e casas noturnas do centro da cidade, na zona portuária santista, era conhecido por “Boca”, nome inspirado em La Boca, um dos bairros mais pobres de Buenos Aires, mas de igual vocação boêmia.

Desde o começo do século 20, Santos se inseria entre os maiores centros de mobilização operária, equiparando-se a Rio de Janeiro e São Paulo. Na época, as condições insalubres do porto e a jornada excessiva de trabalho a tornavam local ideal para lutas por melhores condições de vida.

Todas as obras na cidade exigiam trabalhadores então inexistentes, especialmente no porto, na construção civil e nos transportes.

O café impulsionava as transformações e as melhorias do porto-cidade. É preciso lembrar que, já em 1878, Santos foi escolhida para sediar a primeira reunião para criação do Dia do Trabalho — o 1º de Maio.

Mais tarde, a cidade foi também o primeiro núcleo do Socialismo no Brasil, onde se instituiu o seu Centro Internacional por iniciativa do médico e sociólogo Silvério Fontes, pai do médico e poeta Martins Fontes.

Imigrantes estrangeiros (na década de 30 eles representavam 27% da população) e migrantes
do Nordeste deram início a uma nova classe em Santos, a operária.

Parque Industrial, o primeiro romance proletário, social e político brasileiro, escrito por Pagu
em 1931 e publicado em 1933, focaliza o bairro do Brás, onde morou, em São Paulo. Mas tem a influência do que viveu também em Santos.

O capítulo O Comício do Bairro da Concórdia é baseado no ato de protesto contra o julgamento de Sacco-Vanzetti, do qual participou na Praça da República santista e que resultou em sua prisão. Patrícia está no palanque, quando a polícia invade a praça e atira, atingindo o estivador negro Herculano, que morre em seus braços. Esse episódio a marcaria para sempre. Além disso, o primeiro romance de Patrícia tem seu título inspirado no lema dos bondes da Light de São Paulo. Em Santos, o imaginário do bonde é muito forte, como representativo de toda uma época. Meio de transporte predominante na cidade até a década de 50, é o seu atual símbolo.

É ainda em Santos, em uma mesa de café da Rua Evaristo da Veiga, esquina da Rua Senador Dantas, que escreve a abertura de seu segundo romance, A Famosa Revista, produzido em conjunto com Geraldo Ferraz.

Ao contrário do primeiro, uma apologia ao partido, o segundo livro é uma crítica ao PCB e a seus métodos totalitários, que pôde sentir na pele.

Pagu foi jornalista, traduziu e falou sobre autores desconhecidos no Brasil e até no restante do mundo, em suas colunas de arte, literatura, teatro. Romancista, desenhista, modernista, em sua fase mais revolucionária, militante comunista e depois anticomunista, pintou e bordou, fez gato e sapato, escandalizou meio mundo. Seguindo ordens do partido, se “proletariza”, é lanterninha de cinema no Rio, metalúrgica, empregada doméstica, passa fome, vive em condições miseráveis, tem a saúde abalada.

Perseguida e procurada pela polícia brasileira, dá a volta ao mundo. Sozinha, com vinte e três anos, faz a “viagem redonda” à Ásia e à Europa, movida pelo ideal e entusiasmo em conhecer a Rússia, onde tem a primeira decepção com o regime. Milita no PC francês, convive com André Breton e os surrealistas, em Paris; traz da China as primeiras sementes de soja plantadas no Brasil.

No Brasil, após o fracasso da Intentona Comunista, é presa, durante quatro anos e meio. Ao ser libertada da prisão, muito debilitada, passa a viver com Geraldo Ferraz. A segunda lua de mel, assim como a primeira, tem Santos como cenário. Mora, inicialmente, ao pé do Monte Serrat, num apartamento de sobreloja.

Dedica-se ao jornalismo da melhor qualidade. Mas não é mais Pagu, nome que passa a abominar. Candidata-se à deputada pelo Partido Socialista Brasileiro, mas não é eleita. Sua militância, a partir daí, é na área cultural, em São Paulo, Rio de Janeiro e Santos. Uma resistência por meio da manifestação estética e do poder transformador da arte.

Quando volta à cidade, em 1954, até o fim da vida, em 1962, trabalha em A Tribuna, e ajuda a criar a Associação dos Jornalistas Profissionais de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão. Em Santos frequenta o Clube de Arte, fundado pelo gravurista Mario Gruber e do qual participam vários intelectuais, a maioria de esquerda. Daí se origina parte do movimento do teatro amador santista.

Participa da Comissão Municipal de Cultura, junto com outros integrantes do mundo das artes, como Roldão Mendes Rosa, Narciso de Andrade, Evêncio da Quinta, nomeados pelo prefeito José Gomes. Este tem como chefe de gabinete o jornalista Juarez Bahia, que depois seria redator-chefe de A Tribuna e faria carreira no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro. Com o apoio do Departamento Cultural de A Tribuna e de Paschoal Carlos Magno, Patrícia organiza memoráveis Festivais de Teatro Amador, que revelam grandes talentos.

Incentiva a formação de grupos amadores e de teatro de vanguarda, com autores como Ionesco e Arrabal (em estreia mundial).

Peças do ator e dramaturgo Plínio Marcos, então estreante, são apresentadas com músicas compostas por Gilberto Mendes. Gilberto, responsável pelo histórico Manifesto Música Nova, logo depois transfere esse movimento para Santos, criando o Festival Música Nova, que dá à cidade repercussão internacional.

O ponto de encontro, anárquico-cultural, na época, de jornalistas, atores, escritores, músicos, universitários e boêmios era no bairro do Gonzaga, no extinto Bar Regina, na Avenida Ana Costa, esquina da Praça Independência, no bar do cine Atlântico e no ex-restaurante São Paulo. Entre um gole e outro, discussões sobre teatro e cultura aconteciam. Patrícia chegava por volta das nove da noite e só saía quando Geraldo fechava o jornal e passava para buscá-la, no início da madrugada.

Quando comecei a pesquisa, há muitos anos, em 1987, enquanto lia um trecho de um artigo escrito por Pagu, “de algures alguém telegrafa para o mundo pedindo atenção” 133, inexplicavelmente as teclas de meu telefone começaram, sozinhas, a emitir som, por breves segundos.

Coincidência? Talvez…

Ao lado de muitos 134, me juntei ao trabalho de devolver, aos admiradores de Patrícia, um pouco das inúmeras facetas dessa mulher que, em seus 52 anos foi, como esta cidade, uma força de resistência, com sua indomável teimosia, lutando, sem se curvar.

Respondendo a seu pedido telegráfico de atenção, muitos arquivos foram reunidos, criados e continuam sendo digitalizados, testemunhas vivas de sua memória e estão no Centro de Estudos Pagu Unisanta, um canal para comunicação. Além disso, deram origem, a partir de 1988, a livros 135, artigos, documentários, exposições, debates, mostras de teatro, realizações culturais.

Ela perguntou, no fim da vida, antes da segunda tentativa de suicídio, num momento em que considerou mortas todas as esperanças:

“(…) Sabem vocês o que é ser um canal?
Apenas um canal?
Gosto de bandeiras alastradas ao vento
Bandeiras de navio
As ruas são as mesmas.
O asfalto com os mesmos buracos,
Os inferninhos acesos,
O que está acontecendo?
É verdade que está ventando noroeste,
Há garotos nos bares
Há, não sei mais o que há.
Digamos que seja a lua nova
Que seja esta plantinha voacejando na minha frente.
Lembranças dos meus amigos que morreram
Lembranças de todas as coisas ocorridas
Há coisas no ar…
Digamos que seja a lua nova
Iluminando o canal
Seria verde se fosse o caso
Mas estão mortas todas as esperanças
Sou um canal.”

Patrícia morreu e foi velada na casa onde morava em Santos, na Avenida Washington Luiz, no canal 3. Repousa no cemitério do Saboó, nesta cidade que tanto amou.

Como cada um dos canais de Santos, veias abertas na cidade onde corre o mar, Pagu é travessia para diferentes pontos, para que não fiquemos parados à margem de nós mesmos. Daqui ela zarpou muitas vezes, mas sempre voltou. Sua natureza não admitia a acomodação de ficar restrita a um lugar totalmente. Andou por muitos lugares, terras e mares deste mundo tão grande. Mundo que, no dizer de Drummond, cabe nesta janela sobre o mar, da qual jamais partiu.

*Lúcia Maria Teixeira Furlani é escritora, autora de várias obras sobre Pagu, doutora em Psicologia, Presidente da Universidade Santa Cecília e do Centro Pagu Unisanta. www.pagu.com.br; lucia@unisanta.br


Nos 50 anos de morte de Pagu, Lúcia Teixeira Furlani divulga novos textos e documentos

Textos de Pagu das décadas de 40 e 50 e novo artigo de Lúcia serão publicados; exposição ficará no Centro de Estudos Pagu Unisanta de 10 a 20 de dezembro

Para celebrar os 50 anos da morte da jornalista e militante política e cultural, Patrícia Galvão, Pagu, que ocorrerão no próximo dia 12 de dezembro, Lúcia Maria Teixeira Furlani e o Centro de Estudos Pagu Unisanta publicarão novos textos e apresentarão exposição sobre essa mulher precursora e que, até hoje, no século XXI, desperta fãs de suas obras pelo Brasil e pelo mundo.

Em alusão à data, a pesquisadora e presidente do CEP Unisanta, Lúcia Maria Teixeira Furlani, preparou um novo artigo sobre a jornalista e divulgará textos muito esperados da Pagu jornalista, escritos para O Diário de São Paulo e A Tribuna, com a finalidade de aproximar ainda mais a militante cultural dos pesquisadores e do grande público.

A exposição de documentos, fotos, cartas de Pagu ficará aberta ao público, com entrada franca, de 10 a 20 de dezembro, no Centro de Estudos Pagu Unisanta. Lúcia tem várias obras publicadas sobre a musa modernista, em amplo e completo trabalho de pesquisa iniciado em 1987. Seu trabalho foi responsável pelo resgate do nome de Pagu, inclusive com o reconhecimento do Poder Público que, a partir de sua pesquisa, deu o nome de Pagu ao Centro de Cultura da cidade de Santos e à Oficina Cultural do Governo do Estado. Lúcia reuniu, recuperou e digitalizou mais de 3000 documentos de Pagu, sobre a vida e obra de Patrícia Galvão, da história de Santos e do país, no período em que a jornalista viveu, de 1910 a 1962, e que se encontram no Centro de Estudos Pagu Unisanta.

Fundado por Lúcia há 7 anos, junto com o site www. pagu.com.br, o Centro, sob a presidência de Lúcia, atende pesquisadores de todo o mundo e realiza inúmeras atividades culturais.

Lúcia acredita que “a data é mais um momento importante para ressaltar a mulher de vanguarda, a jornalista, a pioneira no estilo pós-moderno de agir e encarar o mundo e amante da Cidade de Santos que foi Pagu. Nosso trabalho no CEP Unisanta é revigorante, pois atendemos estudantes e pesquisadores do País e do mundo, que chegam ansiosos. Iniciamos a disseminação sobre a obra de Pagu em 1988. São inúmeros leitores, em muitas mídias, que atingem mais de 600 000 pessoas”, diz Lúcia.

“No CEP Unisanta já foram atendidas de forma direta cerca de 70 mil pessoas na Universidade e pelo site, além de palestras, eventos culturais, debates e exposições que fizemos por todo Brasil ao logo de todos esses anos, possibilitando a divulgação desse conhecimento”, conta a pesquisadora.

CEP Unisanta – O Centro de Estudos Pagu Unisanta, em Santos, reúne cerca de três mil arquivos originais e digitalizados sobre Patrícia Galvão, a grande maioria inédita. Colabora assim para difundir para todo o País essa memória, da qual é o depositário.

O Centro foi fundado em 2005, pela escritora e presidente da Unisanta, Lúcia Maria Teixeira Furlani. Constitui-se de material resultante de pesquisa por ela iniciada em 1987, a partir de seu primeiro livro sobre Pagu, “Patrícia Galvão – livre na imaginação no espaço e no tempo” (Editora Unisanta, 1988), transformado depois em filme, em 2001, ganhador do prêmio Exu Jorge Amado, da Jornada Internacional de Cinema da Bahia (sob a direção de Rudá de Andrade e Marcelo Tassara), ao qual se seguiram obras como “Croquis de Pagu” (Unisanta/Cortez Editoras, 2004) e “Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão” (Imprensa Oficial e Unisanta, 2010). Deste último participa como coautor Geraldo Galvão Ferraz, filho de Pagu e de Geraldo Ferraz.

Sede: Universidade Santa Cecília – CEP Unisanta- Biblioteca Central. Rua Dr. Lobo Viana, 27, 1º andar, Santos – SP. Telefone: (13) 3202.7180 / www.pagu.com.br / siga: @100anosdepagu


Viva Pagu com desconto especial, em homenagem a datas marcantes

O livro Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão, de autoria de Lúcia Maria Teixeira Furlani e co-autoria de Geraldo Galvão Ferraz, poderá ser encontrado com desconto especial, promovido pelas editoras da obra, a Imprensa Oficial do Estado e a Editora Unisanta

O leitor encontrará o livro, cujo preço é R$ 90,00, por R$ 50,00, por tempo limitado, em homenagem a datas marcantes deste ano, 50 anos da morte de Pagu e 90 anos da Semana de Arte Moderna de 1922.

A promoção é válida para aquisição virtual ou nas livrarias da Imprensa Oficial, situadas no Museu da Imagem e do Som e na Livraria XV de Novembro, ambos em São Paulo, e na Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos.

Não perca a oportunidade de adquirir essa obra tão importante para a história e a literatura do Brasil e do Mundo. Aproveite e também presenteie alguém especial.

Viva Pagu aborda,  em 348 páginas, ricamente ilustradas, a vida e a obra de Patrícia Galvão (1910-1962), jornalista, militante política, incentivadora da cultura e mulher precursora.

Serviços

Saiba onde encontrar o livro na Promoção, por tempo limitado:

Livraria Virtual – www.imprensaoficial.com.br/livraria

Livraria MIS – Museu da Imagem e do Som – Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo – SP. Telefone: (11) 30624229. Horário de atendimento – de 3ª a sábado, das 12h às 22h e domingos e feriados,  das 11h às 21h;

Livraria XV de Novembro – Rua XV de Novembro, 318. São Paulo – SP. Telefones: (11) 3105-6781 e 3101-6473. Horário de atendimento – de 2ª a 6ª das 9h às 18h. E-mail: livrariaxvnovembro@imprensaoficial.com.br

Unisanta – Universidade Santa Cecília – Rua Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão, Santos- SP, posto da tesouraria, térreo do Bloco M. Telefones: (13) 3202-7180 e 3232-2700. Horário de atendimento – de 2ª a 6ª das 9h às 20h. Sábados,  das 9h às 12h. E-mail: vivapagu@unisanta.br


Unisanta inicia intercâmbio cultural com Centro Lusófono na Rússia e faz doação de livros

A Universidade Santa Cecília (Unisanta) participa da campanha de doações de livros que tem por objetivo ajudar a difusão da Língua Portuguesa na Rússia, através de intercâmbio cultural com o Centro Lusófono Camões da Universidade Estatal Pedagógica Hertzen, de São Petersburgo (Rússia).

A iniciativa vem encontrando boa receptividade tanto no Brasil como em Portugal. Várias instituições, editoras e autores já se dispuseram a enviar doações pelo correio para aumentar o acervo do Centro Lusófono.

Foram doados pela Unisanta os seguintes livros: Benedicto Calixto – Imortalidade, de Milton Teixeira; Identidade e Poder na Universidade, de Sílvia Ângela Teixeira Penteado; Pagu – Patrícia Galvão, livre na imaginação, no espaço e no tempo, de Lúcia M. Teixeira Furlani; A Claridade da Noite – Os Alunos do Ensino Superior Noturno, de Lúcia M. Teixeira Furlani; Autoridade do Professor: Meta, Mito ou Nada Disso?, de Lúcia M. Teixeira Furlani; Croquis de Pagu, de Lúcia M. Teixeira Furlani; além da Revista Ceciliana.

Ao receber as doações, o professor e diretor do Centro, Vadim Kopyl, disse que estava profundamente emocionado e agradecido pela contribuição das instituições e editoras brasileiras e de autores do Brasil e de Portugal para o enriquecimento do acervo do Centro. “Fiquei verdadeiramente impressionado com o desejo de todos em nos ajudar no trabalho de difusão da Língua Portuguesa”, disse.

Mas esta não é a primeira parceria da Unisanta com o Centro Lusófono. Em julho de 2011, o jornalista e escritor Adelto Gonçalves, professor de Jornalismo da Faculdade de Artes e Comunicação (FaAC) da Unisanta foi indicado assessor de imprensa e cultural do Centro, através de indicação de Kopyl, durante visita do professor brasileiro à São Petersburgo.

Sobre o Centro Lusófono Camões – Fundado em 1999, o Centro Lusófono Camões começa o ano, em média, com 15 estudantes russos de Português. Os estudantes entram no nível zero, passando para o nível médio, chegando ao nível superior. Em média, formam-se de sete a oito alunos por ano.

Desde a sua fundação, o Centro já publicou em edições bilingue livros como o Guia de Conversação Russo-Portuguesa Contemporânea, Poesia Portuguesa Contemporânea (2004), que reúne poemas de 26 poetas portugueses, e Vou-me embora de mim (2007), do poeta português Joaquim Pessoa.

Em 2006, com o apoio da Embaixada do Brasil em Moscou, o Centro publicou o livro Contos, de Machado de Assis (1839-1908), em edição russo-portuguesa. Em 2007, publicou Contos Escolhidos, também de Machado de Assis, igualmente em edição russo-portuguesa. A Universidade de Coimbra, a Biblioteca Nacional de Lisboa, o Instituto Camões e a Fundação Calouste Gulbenkian são algumas das instituições culturais portuguesas que têm cooperado com o trabalho dos lusistas russos.


A vida (multifacetada) de Pagu em imagens (Adelto Gonçalves*)

I – A exemplo de Eça de Queiroz (1845-1900), Fernando Pessoa (1888-1935) e outros grandes nomes da Literatura em Língua Portuguesa, Patrícia Galvão (1910-1962), a musa do Modernismo brasileiro, acaba de ganhar sua fotobiografia: Viva Pagu: Fotobiografia de Patrícia Galvão (Santos: Universidade Santa Cecília-Unisanta; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010), trabalho da professora Lúcia Maria Teixeira Furlani e do jornalista Geraldo Galvão Ferraz, filho da escritora, que reúne fotografias e textos que, na maioria, fazem parte do acervo do Centro de Estudos Pagu, da Unisanta, de Santos, e estão disponíveis no site www.pagu.com.br.

Mulher pouco convencional para o seu tempo, Patrícia Galvão teve uma trajetória ímpar na história da Literatura e é uma poucas escritoras brasileiras que atraem o interesse de estudiosos estrangeiros, como o professor norte-americano Kenneth David Jackson, da Universidade de Yale, que traduziu com Elizabeth Jackson para o inglês o seu romance Parque Industrial, publicado em 1994 pela Editora da Universidade de Nebraska.

Neste livro preparado com raro esmero por Lúcia Teixeira e Geraldo Galvão Ferraz, o leitor pode encontrar numerosas passagens da vida de Pagu, apelido que lhe foi dado pelo poeta modernista Raul Bopp (1898-1984) e pelo qual ela, nos últimos tempos, não tinha muito apreço, porque representava uma época já superada em sua vida. O leitor pode encontrar ainda uma Patrícia Galvão que hoje é difícil de imaginar que tenha existido – uma mulher fatal, como Gilda, o filme de 1946, estrelado por Rita Hayworth (1918-1987). A Patrícia Galvão jovem não só era uma mulher atraente como revolucionária, ativista, ligada às vanguardas de seu tempo, que não perdeu a dignidade nem mesmo quando submetida a torturas físicas e psicológicas pela ditadura do Estado Novo (1937-1945), uma das maiores ignomínias da História brasileira – a outra foi a ditadura militar que durou de 1964 a 1985.

Trabalho de pesquisa, que contou com a ajuda e colaboração de familiares e antigos amigos e conhecidos de Patrícia Galvão, este livro procura registrar com fotos e documentos a trajetória da escritora, desde o seu nascimento em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, cidade importante à época em que o café construía fortunas no Brasil, no seio de uma família de imigrantes alemães, os Rehder, cujo patriarca, o bisavô Nicolau, havia construído a estação de trem local. Da Patrícia menina há muitos registros: sua vida na escola primária, a época como normalista, seu irmão e irmãs e mesmo a sua iniciação precoce no mundo do amor. “Era uma menina forte e bonita que andava sempre muito extravagantemente maquiada”, como recordou num depoimento de 1978 um contemporâneo.

 

II – O livro mostra ainda fotos da época em que Patrícia Galvão, aos 18 anos de idade, conhece Oswald de Andrade (1890-1954), à época com 38 anos e casado com a pintora Tarsila do Amaral (1886-1973). Ela começa a colaborar como desenhista com a segunda fase da Revista de Antropofagia, que passa a ser publicada no Diário de S. Paulo, de março e agosto de 1929. Logo, o casamento de Oswald entra em convulsão, depois de um affair do escritor com a jovem Patrícia.

O casamento de Patrícia com Oswald também seria tumultuado. E, numa dessas fugas da realidade, ela vai para Buenos Aires, onde mantém contato com o grupo da revista Sur, que reunia Victoria Ocampo (1890-1979), Jorge Luis Borges (1899-1986) e outros nomes da história da literatura argentina. Em razão de outros contatos, volta convertida ao credo comunista a que se dedicará com paixão, até que, depois de muitas prisões e padecimentos, descobre com seus próprios olhos em Moscou a verdadeira face do “paraíso comunista”. Em 1933, publica o “romance proletário” Parque Industrial, disfarçada sob o pseudônimo Mara Lobo, em edição financiada por Oswald de Andrade. Uma edição com tiragem limitada, quase clandestina, com capa da própria autora.

Ao fazer uma auto-avaliação de seu passado de marxista-leninista ortodoxa, em 1938, Patrícia é expulsa do Partido Comunista Brasileiro, acusada de trotskista, em companhia de José Stacchini (1916-1988) e outros militantes, como mostra documento da época reproduzido no livro. (Stacchini, que este articulista conheceu em 1975 na antiga redação de O Estado de S.Paulo, na Rua Major Quedinho, acabaria por escrever um livro formado por reportagens panegíricas sobre os preparativos para o golpe militar de 1964, intitulado Março de 64: mobilização da audácia (1965). À época, talvez Stacchini não imaginasse no que daria aquela mobilização da direita. E a impressão que passava, mais de dez anos depois, era a de um homem desiludido com a vida e com a espécie humana). Dessa época, a Fotobiografia traz vários recortes de jornais e relatórios policiais sobre as atividades de Patrícia Galvão, então considerada perigosa “extremista”.

 

III – Passada a fase de ativista, Patrícia tornou-se jornalista em tempo integral e militante do teatro. Casou-se com o jornalista Geraldo Ferraz (1905-1979), que era ligado ao grupo modernista. Como Geraldo Ferraz, ex-secretário de redação do Diário da Noite, trocaria São Paulo pelo litoral paulista para dirigir a redação de A Tribuna, de Santos, onde já havia trabalhado no começo da década de 1940, a escritora o acompanharia e passaria a desenvolver no diário santista a atividade de crítica teatral e, depois, a precursora função de crítica de TV, ainda na década de 1950.

(De Geraldo Ferraz, este articulista recorda-se de vê-lo adentrando de sandálias a redação de A Tribuna, de Santos, no começo da década de 1970. Já estava afastado da direção da redação e morava na Ilha Verde, nome que dera à casa da pintora Wega Nery, com quem vivia em Guarujá. Embora a gerência do jornal habitualmente mandasse um motorista buscar as colaborações em sua casa, de vez em quando, ele fazia questão de ir à redação pessoalmente levar os editoriais que ainda estava encarregado de escrever, especialmente sobre política internacional. Depois, invariavelmente, passava pela livraria Martins Fontes, na Praça Independência, no Gonzaga, para conferir as novidades literárias).

Antes disso, o casal teve ainda uma passagem por jornais cariocas, época em que ela, escondida sob o nome de King Shelter, escreveu histórias de mistério para a revista Detective, dirigida por Nelson Rodrigues (1912-1980). Os contos seriam reeditados em 1998 no livro Safra Macabra (Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora), preparado por seu filho Geraldo Galvão Ferraz.

Em 1950, ocorre sua tentativa frustrada de militar na política partidária como candidata a deputada estadual pelo Partido Socialista Brasileiro, em São Paulo. Dessa época é o panfleto eleitoral Verdade & Liberdade em que faz uma dura crítica à direita e ao getulismo – e toda a violência aos direitos humanos que foram praticados durante o Estado Novo –, mas não deixa de condenar a esquerda stalinista e o Partido Comunista Brasileiro. Dizia: “Dos vinte aos trinta anos, eu tinha obedecido às ordens do Partido. Assinara declarações que me haviam entregue, para assinar sem ler”.

 

IV – A última etapa da vida de Patrícia Galvão é marcada por sua atuação cultural. Em A Tribuna, a 27 de novembro de 1955, escreve uma página dedicada ao poeta Fernando Pessoa para assinalar os 20 anos de sua morte. Em 1956, faz outra página dedicada a Dostoievski (1821-1881), por ocasião do 75º aniversário de sua morte. Essas e outras páginas também estão reproduzidas nesta Fotobiografia. Em 1959, dizia que a função da imprensa, num país de tamanha pobreza para as coisas da inteligência, é estimular a cultura. Mais de meio século depois, esta é uma frase que continua mais válida do que nunca, embora nos dias de hoje o que menos se vê na grande imprensa são textos culturais.

É claro que uma vida tão multifacetada como a de Patrícia Galvão não cabe em poucas e resumidas palavras. Mas esta Fotobiografia cumpre bem o seu papel, ao permitir que se tenha uma visão mais nítida de uma trajetória extremamente singular na história da Literatura Brasileira. Trabalho que a história da Literatura Brasileira fica a dever a Lúcia Maria Teixeira Furlani e a Geraldo Galvão Ferraz.

Lúcia Maria Teixeira Furlani, mestre e doutora em Psicologia da Educação, é presidente da Universidade Santa Cecília e autora de Autoridade do professor – meta, mito ou nada disso, Fruto proibido – um olhar sobre a mulher; Pagu – livre na imaginação, no espaço e no tempo; A claridade da noite – os alunos do ensino superior noturno e Segredo da longa vida, entre outros. Já Geraldo Galvão Ferraz, jornalista, crítico literário e tradutor, passou pelas redações de O Estado de S.Paulo, Jornal da Tarde, Editora Abril e Revista Cult. É autor de Livro, ferramenta de progresso e de A empolgante história do romance policial.

 


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VIVA PAGU: FOTOBIOGRAFIA DE PATRÍCIA GALVÃO, de Lúcia Maria Teixeira Furlani e Geraldo Galvão Ferraz. Santos: Universidade Santa Cecília (UNISANTA). São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 348 págs., 2010. E-mails: lucia@unisanta.br; livros@imprensaoficial.com.br Sites: www.unisanta.br; www.imprensaoficial.com.br

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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br


Dicas para ótimos presentes de Natal!

Para os que fazem questão de presentear bem, e deixar marcas positivas de uma época mágica, esta de Natal e de Ano Novo que se aproxima, nada como dar livros – lembrança inesquecível para quem os recebe.

Uma sugestão é Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão, de Lúcia Maria Teixeira Furlani e Geraldo Galvão Ferraz, mergulho saboroso na vida da Musa do Modernismo, repleto de fotos e revelações.

E para as crianças, momentos lúdicos para aprender de maneira prazerosa fatos da história do Brasil e da nossa região, na obra Tudo é Possível – Incrível viagem no tempo e O Segredo da Longa Vida, de Lúcia Maria Teixeira Furlani.

Disponíveis na melhores livrarias, na UNISANTA e pela internet:

Lojas e sites

Livraria Imprensa Oficial
Livraria Martins Fontes
Submarino

Centro de Estudos Pagu Unisanta

Telefone: (13) 3202-7180 ou vivapagu@unisanta.br

Outros locais de venda:

Matriz
Rua da Mooca, 1921 – São Paulo-SP – CEP 03103-902
Central de Atendimento: 0800 0123401
Horário: de 2ª a 6ª, das 8h às 20h
sac@imprensaoficial.com.br

Espaço Imprensa Oficial
Museu da Língua Portuguesa
Praça da Luz, s/nº – Luz São Paulo – SP
Telefone: (11) 3311-7612
Horário: 3ª a Domingo das 10h às 18h
museulportuguesa@imprensaoficial.com.br

Livraria Casa das Rosas
Av. Paulista, 37 -Paraíso
Telefone: (11) 3253-1902
Horário: 3ª a 6ª, das 10h às 22h, Sábado e Domingo das 10h às 18h
livrariarosas@imprensaoficial.com.br

Livraria XV de Novembro
Rua XV de Novembro, 318 – Centro São Paulo – SP 01013-000
Telefone: (11) 3105.6781 e (11)3101.6473
Horário: 2ª a 6ª feira das 9h às 19h
livrariaxvnovembro@imprensaoficial.com.br

Livraria Museu Imagem e Som
Avenida Europa, 158
Jardim Europa São Paulo-SP – CEP 01449-000
Telefax: (11) 3062-4229
Horário: 3ª a Sábado, das 12h às 22h e Domingo e Feriados das 11h às 21h
museuimagemsom@imprensaoficial.com.br

Filial Poupatempo Ribeirão Preto
Avenida Presidente Kennedy, 1500
Pres. Medici – Ribeirão Preto – SP – CEP 14096-350
Fax: (16) 3603-1251
Telefones: (16) 3603-1249 / 3603-1250
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Horário: de 2ª a 6ª, das 9h às 19h e Sábado das 9h às 15h
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Filial Poupatempo Sé
Praça do Carmo, s/n – São Paulo-SP – CEP 01019-020
Telefones: (11) 2108-0120 e (11) 2108-0122
Telefax: (11) 2108-0119
Horário: Temporariamente fechado
filialpoupatempose@imprensaoficial.com.br


Ministério da Cultura e a mídia enaltecem trabalho de Lúcia Teixeira Furlani e da Unisanta

A presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta), escritora e pesquisadora Lúcia Maria Teixeira Furlani, participou na noite de quarta-feira, 9/11, da entrega da ordem do Mérito Cultural, em Recife, que está homenageando Pagu. Sua participação foi notícia na página oficial do Ministério da Cultura, em sites de expressão nacional, como G1 (globo.com), nos principais jornais de Pernambuco, como o Jornal do Commercio, além de Blogs, colunas sociais e no Caderno Regional, da TV Santa Cecília.

“Os escritos são um depoimento biográfico do estado em que Pagu vivia. Sem liberdade, ela estava desapontada e se questionava sobre a sua impotência e insignificância diante daquilo. Falar dela é falar da história recente do País. É mostrar que devemos ser fortes, superar as fraquezas e que não podemos aceitar novamente os mesmo erros da época que nos privaram, além de que nos faz lembrar que contribuímos para a cultura do Brasil”, falou para o site de notícias G1, que destacou a presença da presidente da Unisanta na cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural.

“Estou muito feliz em ter colaborado no desenvolvimento desta homenagem, pois acredito que, assim, revelamos não só a história da mulher extraordinária que foi Pagu, mas também um pouco da história do Brasil, sobre um período que ainda se sabe pouco”, revelou Lúcia na reportagem, Entrega foi marcada por apresentações de artistas pernambucanos, publicada no site do Ministério da Cultura.
Os documentos foram o tema central da reportagem Documentos inéditos de Pagu são revelados, de uma página, publicada no Jornal do Commercio nesta sexta-feira, 11/11. Em entrevista ao jornal de Recife, a presidente do Centro de Estudos Pagu – Unisanta, revelou sua ideia de divulgar cada vez mais o acervo, que já produziu livros como Pagu – livre na imaginação, no espaço e no tempo, Croquis de Pagu e Viva Pagu- Fotobiografia de Patrícia Galvão.

“Pagu – sonho, luta e paixão”, foi o tema do evento realizado no Teatro Santa Isabel, na quarta-feira, 9/11. “No seu exercício do jornalismo ela traduziu e publicou textos importantes de autores estrangeiros até então desconhecidos no Brasil. Além disso, foi uma importante apoiadora do teatro amador”, afirmou Lucia, para o Jornal Folha de Pernambuco Digital.

A presidente da Unisanta entregou, na manhã de quarta-feira, 9/11, à ministra da Cultura, Anna Buarque de Hollanda, documentos inéditos escritos por Pagu na prisão há 75 anos. O encontro, que foi no hotel Atlante Plaza, em reunião de preparação do Prêmio Ordem do Mérito Cultural, do Minc, foi destaque no blog Social 1, da colunista social Roberta Jungmann, na coluna social do Jornal A Tribuna e na coluna social do jornal Folha de Pernambuco Digital.

Confira algumas matérias:

G1 – Portal de Notícias da Globo

Site Ministério da Cultura

Folha de Pernambuco

Folha de Pernambuco – Coluna Foco

Blog Jornal do Commercio


Ministério da Cultura homenageia Pagu e reconhece trabalho da escritora Lúcia Teixeira Furlani, em cerimônia em Recife

O Festival Santista de Teatro (FESTA) foi reconhecido pelo MinC como grande incentivador da cultura nacional

A presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e do Centro de Estudos Pagu Unisanta (CEP), Lúcia Maria Teixeira Furlani, participou, como convidada especial do Ministério da Cultura (MinC), da cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural (OMC), realizada no último dia 9/11, no Teatro de Santa Isabel, em Recife (PE).

O tema da edição 2011 da OMC foi uma homenagem a Patrícia Rehder Galvão – Pagu (1910-1962). O evento reuniu grandes nomes da cultura nacional como Sergio Mamberti, Barbara Paz, Chico Diaz, Silvia Buarque, Héctor Babenco, Beth Carvalho, Jair Rodrigues, entre outros.

O Ministério da Cultura (MinC) solicitou assessoria da escritora Lúcia em todas as etapas da cerimônia, fato que demonstra o reconhecimento do MinC e da Presidência da República ao trabalho que Lúcia realiza como escritora e pesquisadora do tema, há mais de 22 anos.

Desde a escolha do tema, por ela sugerido: “Pagu – Sonho Luta Paixão”, assim como seus livros  serviram de base para a direção artística do evento e foram entregues pela Ministra às autoridades presentes.

As diversas obras e iniciativas culturais de Lúcia sobre Pagu foram responsáveis pelo resgate da memória dessa mulher precursora, jornalista, participante do modernismo, militante política e cultural, cujo centenário foi comemorado em 2010.

Lúcia entregou à Ministra da Cultura, Anna Buarque de Hollanda, documentos inéditos escritos por Pagu na prisão há 75 anos

Documentos inéditos – Durante reunião preparatória do evento, Lúcia entregou à Ministra da Cultura, Anna Buarque de Holanda, carta escrita por Pagu na prisão, que ficou guardada e inédita 72 anos.

Lúcia é autora da trilogia “Pagu – Livre na imaginação, no espaço e no tempo” (1988 – livro e filme); “Croquis de Pagu” (2004) e “Viva Pagu” (2010; este, em coautoria com Geraldo Galvão Ferraz), entre outras obras.

Santistas – Além da escritora, outros santistas foram homenageados pelo Ministério, em Recife. O Festival Santista de Teatro (Festa) – que tem mãe com nome e sobrenome: Patrícia Galvão – também foi reconhecido como grande incentivador da cultura nacional, durante a cerimônia.

A Ministra Anna Buarque de Holanda, tendo ao lado a atriz Denise Fraga, apresentadora da cerimônia, e no camarote principal do histórico Teatro Santa Isabel, de Recife, Lúcia Maria teixeira Furlani e Geraldo Galvão Ferraz


Os santistas Lúcia Teixeira Furlani e Sergio Mamberti, entre os atores Barbara Paz, Chico Diaz e Silvia Buarque, e o cineasta Héctor Babenco

Lúcia Furlani e os integrantes do Festival Santista de Teatro


Lúcia com Beth Carvalho e Sérgio Mamberti

O cantor Jair Rodrigues e Lúcia