Fotógrafas chilenas expõe no ECO Mirada 2014 com o Tema Pagu

Nesta segunda-feira, 1º de setembro, o Centro de Estudos Pagu Unisanta (CEP) recebeu a visita de três fotógrafas do Chile, participantes do  E.CO Mirada 2014 – Encontro Ibero-americano de Coletivos Fotográficos, que integra a programação do Mirada – o Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos.

As chilenas Macarena, Marcela e Andrea apareceram de surpresa no CEP, após pesquisarem pela cidade de Santos sobre a Patrícia Galvão.  “No E.CO a proposta é  que encontrássemos alguma referência, bem expressiva da Cidade, para trabalharmos um painel para a nossa exposição. Assim que chegamos ao Brasil, pensamos em retratar mulheres fortes, pois é uma causa muito importante do nosso país. E nos apresentaram a Pagu”, contou Andrea.

Logo, as fotógrafas foram indicadas para buscar no CEP mais informações e materiais para a exposição. “É incrível conhecer a história de Pagu e saber da importância de sua vida em nosso presente. Para compor a exposição também buscamos outras personagens como ela e vamos identificá-las, destacando uma moradora de São Vicente, a Maria, que ainda batalha nos dias de hoje  contra algumas repressões, como as agressões que sofra do ex-marido”, explica Macarena.

A exposição com o painel das visitantes do CEP foi inaugurado nesta quinta-feira, 4/09, e pode ser visitada até 20/09, na Área de Convivência do Sesc Santos, de terça a sexta das 9h às 21h30, sábados, domingos e feriados das 10h às 18h30, na Rua Conselheiro Ribas, nº 136.

Exposição de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos – O Sesc Santos abriga a exposição com trabalhos dos 20 coletivos convidados para participar do Encontro Ibero-Americano de Coletivos Fotográficos, a partir da seleção de uma curadoria própria, cujo princípio é apresentar uma coleção de olhares múltiplos sobre a produção fotográfica contemporânea desses artistas. A exposição completa o processo iniciado uma semana antes do festival, quando cerca de 50 artistas fotógrafos clicaram a cidade de Santos como um grande laboratório de observação em tempo presente.

 

 


Morre Norma Bengell, diretora do filme “Eternamente Pagu”

A atriz e cineasta Norma Bengell, de 78 anos, morreu por volta das 3h desta quarta-feira (9). Ela estava internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Rio-Laranjeiras e foi cremada hoje (10), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

A artista carioca, Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães D’Áurea Bengell, é considerada uma das maiores musas do cinema e do teatro brasileiros nas décadas de 1950, 1960 e 1970. Em 1962, ela foi a responsável pelo primeiro nu frontal do cinema brasileiro, no filme Os Cafajestes. Norma também foi a diretora do filme “Eternamente Pagu”, 1988.

O longa metragem foi o primeiro filme com a direção de Norma e retrata a história de Patrícia Galvão, a Pagu. Sobre esse mesmo tema, há o curta metragem “Pagu- Livre na Imaginação, no Espaço e no Tempo”, baseado no livro homônimo de Lúcia Maria Teixeira Furlani, uma realização dessa autora e dirigido por Rudá de Andrade e Marcelo Tassara.

Os outros filmes sob a direção de Norma foram: “O Guarani” (1997), “Magda Tagliaferro – O Mundo Dentro de um Piano” (2005) e “Infinitivamente Guiomar Novaes” (2005).

A ligação de Norma com Pagu não se resumia apenas à direção de um filme sobre a musa do modernismo. Norma também ficou conhecida, entre os artistas de sua época, pela luta contra o autoritarismo das ditaduras. “Vai ficar saudade. Era insubstituível. Ela que abria todas as passeatas contra a ditadura [1964 – 1985]. Foi revolucionária”, disse o ator Ney Latorraca, em entrevista ao G1 Rio.

 

 

 

 

 


Lúcia Teixeira participa de audiência da Comissão da Verdade, que acontece amanhã, 19/6, na Unisanta

A presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e biógrafa de Pagu, Lúcia Maria Teixeira Furlani, participará da segunda audiência pública da Comissão da Verdade Prefeito Esmeraldo Tarquínio, da Câmara de Santos.  Com o tema “Mulheres que lutam: hoje e ontem”, o evento será realizado na próxima quarta-feira, dia 19/6, a partir das 19h, no Consistório da Unisanta (Rua Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão).

Lúcia contribuirá com seus estudos sobre a vida e a obra de Patrícia Galvão, a Pagu, e irá relatar sobre fatos descobertos ao longo de 25 anos de pesquisas sobre a militante política e cultural, que mudou a história do Brasil e do Mundo entre as décadas de 20 a 60. O trabalho de Lúcia resultou em várias obras, na criação do site www.pagu.com.br e do Centro de Estudos Pagu Unisanta, o maior arquivo do País sobre o assunto. Ambos são visitados por pesquisadores de todo mundo, que têm acesso a documentos que Lúcia recuperou, digitalizou e divulgou, trazendo à luz fatos que estavam na clandestinidade e esclarecendo a história recente do País.

“Lúcia iniciou a Comissão da Verdade, ao longo desses anos de pesquisa, antes mesmo dela ser instituída. Ter o seu apoio e do acervo documental do Centro de Estudos Pagu Unisanta será de grande prestígio e importância para a Comissão”, disse Fernanda Vannucci, vereadora de Santos e vice-presidente da Comissão.

O evento terá como uma das debatedoras a advogada Sônia Morozetti, dirigente do PCB à época das lutas de resistência à ditadura militar. E por fim, haverá um depoimento de Débora Maria da Silva, coordenadora do movimento “Mães de Maio”, que reúne familiares dos jovens sem qualquer ligação com o crime organizado, mortos durante o confronto entre o Estado e uma facção criminosa, em maio de 2006.

“Será mais um momento ímpar para o resgate de páginas importantes de nossa história, com o foco nas mulheres que participaram ativamente da luta pela redemocratização do Brasil, sofrendo duramente com a mão de ferro dos órgãos de repressão da ditadura militar”, enfatiza o vereador Evaldo, que é líder do PT no Legislativo de Santos.

Conforme explica o presidente da Comissão da Verdade, o objetivo do evento será mostrar que, ao longo da história brasileira, muitas mulheres dedicaram e dedicam suas vidas à luta para ampliar direitos e expandir sua participação nos espaços de poder. Da mesma forma, dar voz àquelas que não se calam diante da mão pesada do Estado que tira vida de seus entes.

“Nesse sentido, a Débora, do movimento “Mães de Maio”, está para a luta pelo esclarecimento das mortes dos jovens em maio de 2006 como esteve a estilista Zuzu Angel para esclarecer o assassinato de seu filho pelo regime militar,” conclui o vereador Evaldo.

Na primeira reunião pública da Comissão Prefeito Esmeraldo Tarquínio, a discussão girou em torno do navio prisão Raul Soares.


Unisanta integra o Grupo de Apoio à Comissão da Verdade de Santos

A Universidade complementará as pesquisas documentais da Comissão, por meio do trabalho da Dra. Lúcia Teixeira Furlani como biógrafa de Pagu e presidente do Centro de Estudos Pagu Unisanta

No último dia 10, a presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Lúcia Maria Teixeira Furlani, recebeu a visita do presidente da Comissão da Verdade de Santos “Prefeito Esmeraldo Tarquínio”, Dr. Evaldo Stanislau, da vice-presidente, Fernanda Vannucci, e de vereadores da Câmara Municipal de Santos. A visita oficializou o apoio que a Universidade dará à Comissão.

Em virtude dos 26 anos de pesquisa de Lúcia, como biógrafa de Patrícia Galvão, a Pagu, os vereadores destacaram a importância do trabalho desenvolvido pela escritora resgatando a memória histórica de Santos e do Brasil, em suas pesquisas sobre a jornalista e militante política, do período da ditadura do Estado Novo.

“Lúcia iniciou a Comissão da Verdade, ao longo desses anos de pesquisa, antes mesmo dela ser instituída. Ter o seu apoio e do acervo documental do Centro de Estudos Pagu Unisanta será de grande prestígio e importância para a Comissão”, disse Fernanda.

Para o presidente da Comissão, o apoio de Lúcia e da Unisanta ampliará as possibilidades da pesquisa a ser realizada. “É importante que esse trabalho iniciado pela Câmara Municipal de Santos esteja próximo à sociedade. Ter a Unisanta e a Dra. Lúcia incluídas nesse processo nos trará inúmeras possibilidades de acesso ao que realmente procuramos, por meio dos depoimentos daqueles que viveram anos de ditadura e de documentos que comprovem os fatos”, informou Stanislau.

Ao receber o convite, Lúcia enfatizou a importância deste ato organizado pelos vereadores da Cidade. “Não podemos esquecer destas pessoas que mudaram o cenário político do nosso País, muitas vezes em troca de suas vidas ou anos de liberdade. A pesquisa, além de cumprir essa função social, vai fundamentar ainda mais a relevância da Cidade de Santos e destes personagens para o Brasil. O papel da universidade, por meio da pesquisa histórica, transforma o passado, que adquire uma forma nova. E pode transformar também o presente, se este se revelar a realização possível do que foi sonhado”, destacou a pesquisadora.

A Comissão – No dia 27/3, a Câmara Municipal de Santos institui a Comissão da Verdade “Esmeraldo Tarquínio”. A solenidade foi coordenada pelo vereador Evaldo Stanislau, presidente do grupo, que reúne ainda outros seis parlamentares.

Esmeraldo Tarquínio Neto, que esteve presente no ato, agradeceu muito a homenagem ao pai e afirma estar certo de que a Comissão da Verdade irá realizar um trabalho ímpar para o resgate da memória daqueles que foram injustiçados pela Ditadura Militar. O evento também foi marcado pela celebração de um termo de cooperação entre a comissão santista e as de caráter estadual e nacional. O objetivo é o compartilhamento das investigações a serem realizadas.

Centro de Estudos Pagu Unisanta – Localizado em Santos, na Unisanta, reúne cerca de três mil arquivos originais e digitalizados sobre Patrícia Galvão, a grande maioria inédita. Colabora assim para difundir para todo o País essa memória, da qual é o depositário. Fruto da pesquisa de Lúcia, muitos outros trabalhos – teses, livros, exposições, peças de trabalho, audiovisuais – foram produzidos a partir do seu incentivo e do Centro Pagu Unisanta.

O Centro foi fundado em 2005, pela escritora e presidente da Unisanta, Lúcia Maria Teixeira Furlani. Constitui-se de material resultante de pesquisa por ela iniciada em 1987, a partir de seu primeiro livro sobre Pagu, “Patrícia Galvão – livre na imaginação no espaço e no tempo” (Editora Unisanta, 1988), transformado depois em filme, em 2001, ganhador do prêmio Exu Jorge Amado, da Jornada Internacional de Cinema da Bahia (sob a direção de Rudá de Andrade e Marcelo Tassara), ao qual se seguiram obras como “Croquis de Pagu” (Unisanta/Cortez Editoras, 2004) e “Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão” (Imprensa Oficial e Unisanta, 2010). Deste último participou como coautor Geraldo Galvão Ferraz, filho de Pagu e de Geraldo Ferraz.


Vida e a carreira de Geraldo Galvão Ferraz é destaque no Jornal da ABI

A edição do mês de fevereiro do Jornal da Associação Brasileira de Imprensa – ABI destacou a vida e a carreira de Geraldo Galvão Ferraz, filho mais novo de Patrícia Galvão, a Pagu, e grande colaborador do Centro de Estudos Pagu Unisanta.

Geraldo falaceu no dia 9/2 e deixou muitas saudades e boas recordações nas redações onde trabalhou como jornalista e editor.

A reportagem de Gonçalo Júnior conta algumas dessa histórias e suas características marcantes “De cultura vastíssima, conhecia também a alma feminina como poucos (…). Era um cavalheiro, um homem doce, gentil, que conquistava qualquer um pelo aperto de mão seguido de um sorriso afável e largo”, escreveu o jornalista da ABI.


Morre Geraldo Galvão Ferraz, filho de Pagu

A missa de 7º dia será realizada no sábado (16/02), às 17h, na Igreja de São Gabriel, Avenida São Gabriel, 108 — Itaim Bibi — São Paulo.

É com muito pesar que comunicamos o falecimento do Geraldo Galvão Ferraz, aos 72 anos, filho mais novo de Patrícia Galvão, com o jornalista Geraldo Ferraz. Geraldo morreu na noite desta última sexta-feira, 9/2, de infecção. Ele sofria de hipertensão e diabetes e estava hospitalizado, na cidade de São Sebastião (São Paulo), onde morava nos últimos meses.

Para a biógrafa de Pagu e presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Lúcia Maria Teixeira Furlani, o falecimento do amigo e grande jornalista cultural foi muito sentida.

“A cultura e o jornalismo estão de luto desde o dia 8/2, pelo falecimento do Geraldo, o Kiko. Um grande jornalista, editor de alguns dos principais veículos do Brasil, tradutor, crítico literário e que também chegou a ser coordenador do Centro de Estudos Pagu Unisanta. Kiko foi um grande amigo, desde nosso primeiro contato, em 1988, quando lancei meu primeiro livro sobre Pagu. Ele me entrevistou para a revista Cláudia, da qual era editor e, a partir daí, participamos de muitos projetos juntos. Ele me chamava carinhosamente de Miss Lucy. Como nos romances policiais, Miss Lucy, segundo ele, era a identidade da detetive que desvendava o passado da mãe, elucidando a verdade e os fatos escondidos ou deturpados durante tanto tempo. Inteligente e dono de grande conhecimento, tinha sempre uma observação perspicaz sobre os fatos da vida e da cultura, o que se refletia em seus textos. Morreu na sexta-feira de Carnaval, como conviria a um carnavalesco. Com seu sorriso manso, reunido está a seus pais Patrícia e Geraldo, em uma morada espiritual mais alegre e feliz ”, disse Lúcia.

Lúcia está em entendimentos com a família para que, após três anos, prazo legal para transferência, o corpo de Geraldo seja trazido para Santos, junto ao túmulo de seus pais, Pagu e Geraldo Ferraz, no cemitério do Saboó, em Santos.

Histórico – Geraldo Galvão Ferraz era jornalista, crítico literário e tradutor. Passou pelas redações de O Estado de S.Paulo, Veja, Isto É, Playboy, Claudia, Jornal da Tarde, revista Cult, entre outros, exercendo múltiplas funções, de repórter a editor. Recebeu vários prêmios, entre eles dois Jabutis. É autor do Livro, ferramenta de progresso (Câmara Brasileira do Livro) e de A empolgante história do romance policial (Nova Cultural) e co-autor de Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão, ao lado de Lúcia Maria Teixeira Furlani. Foi coordenador do site www.pagu.com.br e do Centro de Estudos Pagu Unisanta.


Textos de jornalismo de Pagu em A Tribuna e Diário de SP

Divulgamos hoje, dia 12/12/12, ao ensejo dos 50 anos da morte de Patrícia Galvão, dois textos do jornalismo.

O primeiro, publicado em Diário de SP, na coluna Fanfulla de Literatura e Arte, em “Contornos e desvãos de um panorama sumário”, de 15 de outubro de 1950; o segundo “Somos os filhos dos anos terríveis da Rússia”, com o pseudônimo de Mara Lobo, em A Tribuna, em 11 de janeiro de 1959.

Ambos falam muito da consciência do escritor, valor a ser perpetuado naqueles tempos, décadas de 40 e 50, e mais ainda, nos atuais.

Tenham uma ótima leitura!

Lúcia Maria Teixeira Furlani

Contornos e desvãos de um panorama sumário
Patrícia Galvão, 15 de outubro de 1950, Diário de SP

Reclamava ainda há pouco o mestre (jovem mestre) Antônio Cândido, no pequeno semanário dos socialistas, a falta hoje de uma “literatura moderna” no Brasil. Antônio Cândido é da geração dos que cresceram num tempo em que havia “literatos” modernos, o motivo suficiente de se acreditar então numa literatura moderna. A própria designação hoje é tida por suspeita. Pois não é. Moderna mesmo deve ser dita, para se entenderem as coisas na porção polêmica e pesquisadora que significam, quando se trata de uma literatura como a desejada.

Moderno é um crítico como Roberto Alvim Corrêia. Leiam dele “Anteu e a crítica”, ensaios literários editados por José Olympio, em 1948, resultado da atividade que desenvolveu em jornais do Rio, depois que a maré nazista o jogou para este lado do Atlântico. A literatura desejada, Roberto Alvim Corrêia não a encontrou no Brasil. Leiam-se os seus ensaios literários. Entrando com lambugem de editor moderno em Paris – onde venceu: plantou as “Editions Corrêia. 166, boulevard de Montparnasse, 14.e” – leiam-se os seus ensaios literários e se verá o “despaisamento” dele, a sua quasi indiferença ao analisar os nossos “modernos”, um Murilo Mendes, uma Cecília Meireles, um Manuel Bandeira, na poesia, e uns prosadores tão pobres que me dá pena citar. Pois a literatura desejada está para Roberto Alvim Corrêia noutro ponto do mundo. Nas páginas de “Anteu e a crítica”, Alvim Corrêia nos fala do mundo que perdeu, na parte dos estudos franceses, e estudando Malarmé, Proust, Mauriac, Bernanos, Charles du Bos, Gide e Roman Rolland se vê como consegue ser bem o crítico moderno…

Naturalmente, não podemos ser uma literatura francesa…

Mas, por imprescindível aproximação pela sua complexa variedade na realização total do que se deve entender por uma “literatura”, na sua riqueza clássica e na sua transformação, quanto nas suas vibrações modernas – não resta desconfiança nenhuma que aprenderemos muito se começarmos vendo o que houve, como começaram, o que fizeram os franceses. Não há mal nenhum, nem o de uma ambientação “afrancezadora” de nossa literatura. Afinal, há tanto perigo nisto como nos automóveis, no bonde da Light, nas meias nylon ou no cinema com miados e ganidos em inglês, mastigado por Hollywood, “hello baby!”

O mal, é o da falta de informação, o que deu é a queixa de Antônio Cândido, enquanto o sr. José Lins do Rego continua fazendo seu romancinho naturalista e outros, mais avançados, como o mineiro Ciro dos Anjos, copia o nhanduti de Machado de Assis.

O mal é o da falta de informação, e ainda é Roberto Alvim Corrêia que vai me dar ajuda. Pois acaba de ser convidado este insigne e prestante cidadão pelo diretor do Serviço Nacional do Teatro para fazer uma conferência sobre Jean Cocteau, no Rio. Uma conferência que explique Cocteau; e que por isso terá como tema “Presença de Jean Cocteau”. Mas a conferência apenas não basta. Então, assim que Roberto Alvim Corrêia acabar a sua explanação sobre Cocteau, haverá uma representação de uma peça em um ato do mesmo poeta, “Le Bel Indifférent”. E no hall, antes e depois, poderão os interessados ver maquetes de montagem e peças de Cocteau, elaboradas pelos alunos de Decoração Teatral do Serviço Nacional de Teatro, tudo dentro de um mesmo espírito, de polêmica e pesquisa para a informação necessária. Então refletindo em tudo isto, ou se deixando levar por tudo isto, deixando-se “embeber” pelas coisas que estão na vida e na poesia de Cocteau, no seu teatro de poesia, na interpretação que dará o crítico admirável, das linhas musicais e sugestivas de Cocteau, no seu teatro de poesia, na interpretação que dará o crítico admirável, das linhas musicais e sugestivas de Cocteau – e por falar em música chegaremos até Satie, que Cocteau representou e defendeu em Paris de 1912 (nesses tempos heróicos), com a cantora brasileira Vera Janacopulos, que não deixou de ser brasileira por isso – então, trabalhada toda a sensibilidade por um só dos poetas mais valiosos da França, sentiremos a necessidade de fazer alguma coisa também, de, pelo menos, sentir e vibrar com as suas descobertas e investigações, pelo terreno da aventura…

Mas os nossos poetas e escritores, os pintores e os ilustradores, os cenógrafos, não querem nada senão a ordem.

É por causa dessa mania da ordem que não se faz coisa com coisa. E a literatura desejada não aparece, senão na circunstância de termos em Clarisse Lispector uma grande escritora que ninguém lê porque é difícil. Muito bem. Não se lia também nem se editava nada que cheirasse a moderno de outros países: um Faulkner só nos entrou em casa e numa desgraçada tradução, por via da aventura editorial do IPE – mas a livraria do Globo continua a nos dar além de Faulkner, e melhor traduzido, Joyce e Proust, Virginia Woolf e outros. Já leram e gostaram e nem perceberam. Pois é.

Contra a ordem, portanto, nesse panorama tão igualzinho e vulgar, para que haja uma outra linha mais nova na paisagem, um rasgo no horizonte, mesmo rasguinho, quando, não possa ser um rasgão.

O Portinari que me desenhava a fisionomia dezenas e dezenas de vezes para fazer um quadro já não é o mesmo Portinari de hoje, certo de sua glória – embora eu pense que ele deveria, em vez da glória e do dinheiro, buscar a arte… Pois Portinari daquele tempo que dava tanta esperança e que era um artista pobrinho, num apartamento de Laranjeiras, dessas casas coletivas quase improvisadas, Portinari que arriscava, perdeu ao ser colocado em mural no Ministério de Educação. Ali o engrandeceram, o monopolizaram, o enquadraram dentro da ordem que ele acabou fazendo tudo certinho , e no final essa coisa carnavalesca que é o painel de Tiradentes. Daí, diante da análise de Mário Pedrosa, Portinari não aguentou e fugiu para Paris, onde não se teve mais notícia dele. E quem sabe se poderá refletir longe das bananeiras e das palmeiras e acabará mesmo se ilustrando e voltando, tomara que aconteça, aos tempos de aventura. Por que riscar seu nome com um traço negro de desesperança?

Agora, por falar em Laranjeiras, ali tem uma outra literatura para a referência deste panorama que quer ser geral, de artes e literaturas, e vos falarei sumariamente das casas de Lúcio Costa, espírito e imaginação, melhores do que Oscar Niemeyer, atrás do qual foi se escondendo, devido à ligeireza e à audácia deste. Uma architetura moderna brasileira surge agora em Laranjeiras pela mão de Lúcio Costa, há vinte anos buscando formar uma escola brasileira, para o que primeiro pediu aqui a intervenção do arquiteto Warchavchik, cuja história está em impressão graças a iniciativa editorial do Museu de Arte.

Literatura, poesia, teatro, música, pintura, architetura – na obrigação “moderna” (em sentido dialético como o emprega Pierre Naville), eis alguns contornos e desvãos de um panorama sumário, que pouco a pouco iremos detalhando, se nos permitir um bocado de persistência na tarefa, esta coluna aberta sobre o domingo dos leitores eventuais.

Somos os filhos dos anos terríveis da Rússia*
MARA LOBO, 11 de janeiro de 1959, A Tribuna

“Terrível é a grandeza da palavra, e em seu nome deverei morrer”, escreve nos versos finais de sua paixão Iuri Jivago, o personagem de Boris Pasternak, afinal, em edição brasileira (Editora Itatiaia, Edições Tapir Belo Horizonte, impresso em dezembro de 1958), o último dos grandes livros do ano, o “best-seller” mundial, que valeu ao seu autor o Prêmio Nobel de literatura este ano.

Terrível é a grandeza da palavra!

Efetivamente, foi contra a palavra que se processaram todos os movimentos dos pseudo-escritores soviéticos quando se ficou sabendo, na União Soviética, que o livro de Pasternak havia rompido a “cortina de ferro” e saíra pelo mundo contando o que o poeta calara em seu retiro e refreiara entre as suas traduções, para poder continuar vivendo e levantando em toda a parte a sua terrível grandeza, a Palavra… Terrível grandeza!

Sem dúvida, o facho foi passado, e, infelizmente, não às mãos de uma jovem geração. Talvez “O Doutor Jivago” tenha, então, de ser a última palavra da literatura russa antes da catástrofe. O facho foi passado, exatamente nesse último mês do ano quando Gladkov também fechou os olhos. O romancista dos anos terríveis, os anos do “comunismo de guerra”, das páginas épicas de “O cimento” era Gladkov. Depois dele, surgiram alguns livros, mas eram sempre as palavras “dirigidas” e meditadas depois da crítica que Radek fez ao manuscrito de Pliniak, “O volga desemboca no Mar Cáspio”, a história romanceada da grande barragem, com que os homens consertaram a natureza, escrevia Radek no prefácio: “Que notáveis são estes literatos! Como Pliniak recompôs as páginas depois da crítica que dele fiz!” Como se isso não invalidasse completamente a obra de Pliniak. Mas com Gladkov e com Pasternak, quarenta anos depois, não: era a terrível grandeza da Palavra que se achava em jogo.

Então morre Gladkov, e um dos grandes dos primeiros tempos ainda sobrevive. Sobrevive o poeta Pasternak à morte inglória de Alexandre Blok, na grande fome de 1921: ao suicídio de Essenio, o trágico poeta que a Revolução quis transformar num burocrata das letras e que se matou por isso: ao suicídio do que era considerado a voz de toda a Rússia, de todas as Rússias, o grande Maiakovski – por favor não comentem a minha morte!

Passa o facho das mãos do romancista de “O cimento” para as de Pasternak o romancista de “O doutor Jivago”.

Três tradutores arrastaram a imensa tarefa em tempo recorde: Oscar Mendes, Milton Amado e Heitor Martins para as poesias do trecho duma das histórias de Jivago, que é a história da URSS, que é a história do poeta Pasternak…

Estamos, então, diante de um momento circunspecto da literatura mundial. O drama do escritor o coloca em toda a sua amplitude Pasternak é o fim da literatura durante a ditadura. Um sopro de liberdade entrou pelas frinchas da cortina agitou-se cá fora… Quando em 1953 morreu Stalin, o degelo do imenso inverno stalinista pareceu derreter algumas resistências: Ilia Ehremburg essa velha raposa, lançou-se imediatamente à aventura: em algumas semanas lançava o manifesto da nova palavra – “O degelo”, romance que deveria abrir uma época seguiu-se “Nem só de pão vive o homem” que não teve a força necessária para romper a prevenção mundial. Só com “O doutor Jivago”, a terrível grandeza da Palavra se levantaria em sua sagrada força de azorrague contra os vendilhões: “Viver uma vida não é atravessar um campo”, quando tudo afunda no farisaismo – e estamos citando as palavras mesmas do texto de Pasternak.

Pasternak é o fim, escrevemos acima, porque ele representa no duro mesmo, a última respiração da literatura em clima soviético. Não haverá mais nem haverá outro. As precauções estão tomadas, não haverá mais. A esta píncaro se sobe uma vez cada século. A consciência do escritor impede que o governo soviético, o governo de força da União Soviética, deixe-se adormecer uma vez mais. Agora nunca mais. Pasternak é o fim.

*Alexandre Blok, poeta russo, 1880-1921, previu nesse verso o que viria depois para a intelectualidade russa.


50 anos da morte de Pagu

Por Lúcia Maria Teixeira Furlani*

Patrícia Galvão, a Pat, a Pagu, morreu há 50 anos, em Santos, onde deixou marcas inesquecíveis. Nascida em São João da Boa Vista, Santos sempre foi uma espécie de norte, tanto para sua vida como para seu trabalho e obra.

É para cá que vem, de São Paulo, aos dezenove anos, em lua de mel com o pintor Waldemar Belisário e, na estrada, no alto da serra, troca de carro e de noivo. O apaixonado Oswald de Andrade assume o papel, vivendo dias românticos com Pagu em uma pensão no bairro do Gonzaga.

O casamento com Waldemar é na verdade uma farsa arquitetada para que Pagu fuja de casa e do controle familiar e prevê a separação do casal logo após a cerimônia.

O plano conta com a ajuda de Oswald de Andrade e de sua mulher Tarsila do Amaral, que não imagina o envolvimento amoroso do marido com Pagu.

Desde a adolescência Pagu mantém afinidades com a cidade, onde passa férias em família e realiza travessias do Canal a nado.

Desse mesmo porto de Santos, ela parte para Buenos Aires, três meses após o nascimento de seu filho com Oswald, Rudá de Andrade. Pretendia estar acompanhada do marido e do filho, mas, decepcionada com as aventuras extraconjugais do companheiro, viaja, sozinha, para participar de um congresso de poesia como Embaixatriz da Antropofagia.

Leva uma carta para Luís Carlos Prestes, mas só encontra um amigo dele. É a primeira de suas muitas viagens a países estrangeiros, sempre partindo desse porto. Volta carregada de livros marxistas e propaganda comunista.

Adere de corpo e alma ao Partido Comunista e edita, com Oswald, o jornal O Homem do Povo. Perseguida pela polícia e doente, pede a Oswald para vir a Santos, a fim de que ela e o filho recuperem a saúde. Em um quarto alugado no bairro do Boqueirão, passa com o filho alguns dos momentos mais felizes da vida. Depois disso, na vida tumultuada que viveu, pouco pôde conviver com Rudá, do qual ficaria separada por muitos anos, com grande sofrimento para ambos. Rudá morou desde pequeno com o pai e suas várias esposas, sendo criado também por Nonê, primeiro filho de Oswald.

Em Santos, Pagu participa de reuniões do Sindicato da União dos Trabalhadores da Construção Civil e da organização do Socorro Vermelho, ramo partidário de apoio a grevistas e militantes.

É presa no movimento ilegal dos trabalhadores e reconduzida a São Paulo, mas para cá volta, enviada pelo Partido. Mora no bairro da Ponta da Praia, em um quarto alugado do chalezinho de dona Maria, na avenida Rei Alberto I, 367. Esta e sua família se tornaram personagens do livro A Escada Vermelha, de Oswald de Andrade, e de crônicas de Pagu no Jornal A Tribuna. Dona Maria também acolhe o casal em outra oportunidade, no refúgio na Ilha das Palmas, colada à Ilha de Santo Amaro (Guarujá), mas igualmente em Santos.

Dona Maria não sabia das atividades políticas de Pagu, quando lhe alugou um quarto.

Foi uma surpresa descobrir que aquela moça de vinte e dois anos, bonita, meiga, de cabelos encaracolados, que brincava e nadava com as crianças, anda com uma arma na bolsa.

Quem acha o revólver é Oswaldo, sobrinho de dona Maria. Pagu parecia estar fugindo e pediu ao menino que escondesse sua bolsa. É muito pesada, a criança quer ver o que tem dentro. Leva um baita susto. Outro susto toma dona Maria, quando abre o quarto de Pagu, após a moça ter desaparecido alguns dias. O cômodo está cheio de panfletos vermelhos, que a senhora trata de esconder no forro da casa. Quando a polícia vai revistar o local, em busca de provas contra a militante, lá nada encontra.

Foi o que me contou Luiz Alonso Ferreira, neto de dona Maria.

O Brasil começou nesta região, assim como as lutas abolicionistas e republicanas. Santos é conhecida também como Barcelona brasileira e por tantos outros títulos originados do passado de lutas sociais, travadas em históricos lugares 132. Cidade onde Pagu viveu, amou, sonhou, trabalhou, militou política e culturalmente.

Assim como o poeta Ribeiro Couto, que nasceu junto ao porto e se referia ao inesquecível e embriagante aroma de café dessa cidade marítima, Pagu amava o cheiro dessa terra cálida, úmida e quente, com seu típico vento noroeste e seu cheiro de maresia, misturado com café, azeite, peixes fritos, que exalava quando caminhava pela Rua Xavier da Silveira e por outras da “Boca” de Santos.

Lá participa de reuniões comunistas — inspirada principalmente pelo estivador negro Herculano de Souza, com quem divide moradia, na rua Teixeira de Freitas, 66, e a quem atribui sua conversão ideológica — e é a primeira mulher presa na luta política e revolucionária, na Praça da República. Fica detida na “pior cadeia do continente”, hoje denominada Cadeia Velha, na Praça dos Andradas. Essa é a primeira das vinte e três prisões de Pagu por motivos políticos.

Santos guarda similaridades com Barcelona e Buenos Aires: libertárias, portuárias e berços de grandes clubes de futebol — Santos Futebol Clube, Barcelona e Boca Junior.

O antigo espaço boêmio das boates e casas noturnas do centro da cidade, na zona portuária santista, era conhecido por “Boca”, nome inspirado em La Boca, um dos bairros mais pobres de Buenos Aires, mas de igual vocação boêmia.

Desde o começo do século 20, Santos se inseria entre os maiores centros de mobilização operária, equiparando-se a Rio de Janeiro e São Paulo. Na época, as condições insalubres do porto e a jornada excessiva de trabalho a tornavam local ideal para lutas por melhores condições de vida.

Todas as obras na cidade exigiam trabalhadores então inexistentes, especialmente no porto, na construção civil e nos transportes.

O café impulsionava as transformações e as melhorias do porto-cidade. É preciso lembrar que, já em 1878, Santos foi escolhida para sediar a primeira reunião para criação do Dia do Trabalho — o 1º de Maio.

Mais tarde, a cidade foi também o primeiro núcleo do Socialismo no Brasil, onde se instituiu o seu Centro Internacional por iniciativa do médico e sociólogo Silvério Fontes, pai do médico e poeta Martins Fontes.

Imigrantes estrangeiros (na década de 30 eles representavam 27% da população) e migrantes
do Nordeste deram início a uma nova classe em Santos, a operária.

Parque Industrial, o primeiro romance proletário, social e político brasileiro, escrito por Pagu
em 1931 e publicado em 1933, focaliza o bairro do Brás, onde morou, em São Paulo. Mas tem a influência do que viveu também em Santos.

O capítulo O Comício do Bairro da Concórdia é baseado no ato de protesto contra o julgamento de Sacco-Vanzetti, do qual participou na Praça da República santista e que resultou em sua prisão. Patrícia está no palanque, quando a polícia invade a praça e atira, atingindo o estivador negro Herculano, que morre em seus braços. Esse episódio a marcaria para sempre. Além disso, o primeiro romance de Patrícia tem seu título inspirado no lema dos bondes da Light de São Paulo. Em Santos, o imaginário do bonde é muito forte, como representativo de toda uma época. Meio de transporte predominante na cidade até a década de 50, é o seu atual símbolo.

É ainda em Santos, em uma mesa de café da Rua Evaristo da Veiga, esquina da Rua Senador Dantas, que escreve a abertura de seu segundo romance, A Famosa Revista, produzido em conjunto com Geraldo Ferraz.

Ao contrário do primeiro, uma apologia ao partido, o segundo livro é uma crítica ao PCB e a seus métodos totalitários, que pôde sentir na pele.

Pagu foi jornalista, traduziu e falou sobre autores desconhecidos no Brasil e até no restante do mundo, em suas colunas de arte, literatura, teatro. Romancista, desenhista, modernista, em sua fase mais revolucionária, militante comunista e depois anticomunista, pintou e bordou, fez gato e sapato, escandalizou meio mundo. Seguindo ordens do partido, se “proletariza”, é lanterninha de cinema no Rio, metalúrgica, empregada doméstica, passa fome, vive em condições miseráveis, tem a saúde abalada.

Perseguida e procurada pela polícia brasileira, dá a volta ao mundo. Sozinha, com vinte e três anos, faz a “viagem redonda” à Ásia e à Europa, movida pelo ideal e entusiasmo em conhecer a Rússia, onde tem a primeira decepção com o regime. Milita no PC francês, convive com André Breton e os surrealistas, em Paris; traz da China as primeiras sementes de soja plantadas no Brasil.

No Brasil, após o fracasso da Intentona Comunista, é presa, durante quatro anos e meio. Ao ser libertada da prisão, muito debilitada, passa a viver com Geraldo Ferraz. A segunda lua de mel, assim como a primeira, tem Santos como cenário. Mora, inicialmente, ao pé do Monte Serrat, num apartamento de sobreloja.

Dedica-se ao jornalismo da melhor qualidade. Mas não é mais Pagu, nome que passa a abominar. Candidata-se à deputada pelo Partido Socialista Brasileiro, mas não é eleita. Sua militância, a partir daí, é na área cultural, em São Paulo, Rio de Janeiro e Santos. Uma resistência por meio da manifestação estética e do poder transformador da arte.

Quando volta à cidade, em 1954, até o fim da vida, em 1962, trabalha em A Tribuna, e ajuda a criar a Associação dos Jornalistas Profissionais de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão. Em Santos frequenta o Clube de Arte, fundado pelo gravurista Mario Gruber e do qual participam vários intelectuais, a maioria de esquerda. Daí se origina parte do movimento do teatro amador santista.

Participa da Comissão Municipal de Cultura, junto com outros integrantes do mundo das artes, como Roldão Mendes Rosa, Narciso de Andrade, Evêncio da Quinta, nomeados pelo prefeito José Gomes. Este tem como chefe de gabinete o jornalista Juarez Bahia, que depois seria redator-chefe de A Tribuna e faria carreira no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro. Com o apoio do Departamento Cultural de A Tribuna e de Paschoal Carlos Magno, Patrícia organiza memoráveis Festivais de Teatro Amador, que revelam grandes talentos.

Incentiva a formação de grupos amadores e de teatro de vanguarda, com autores como Ionesco e Arrabal (em estreia mundial).

Peças do ator e dramaturgo Plínio Marcos, então estreante, são apresentadas com músicas compostas por Gilberto Mendes. Gilberto, responsável pelo histórico Manifesto Música Nova, logo depois transfere esse movimento para Santos, criando o Festival Música Nova, que dá à cidade repercussão internacional.

O ponto de encontro, anárquico-cultural, na época, de jornalistas, atores, escritores, músicos, universitários e boêmios era no bairro do Gonzaga, no extinto Bar Regina, na Avenida Ana Costa, esquina da Praça Independência, no bar do cine Atlântico e no ex-restaurante São Paulo. Entre um gole e outro, discussões sobre teatro e cultura aconteciam. Patrícia chegava por volta das nove da noite e só saía quando Geraldo fechava o jornal e passava para buscá-la, no início da madrugada.

Quando comecei a pesquisa, há muitos anos, em 1987, enquanto lia um trecho de um artigo escrito por Pagu, “de algures alguém telegrafa para o mundo pedindo atenção” 133, inexplicavelmente as teclas de meu telefone começaram, sozinhas, a emitir som, por breves segundos.

Coincidência? Talvez…

Ao lado de muitos 134, me juntei ao trabalho de devolver, aos admiradores de Patrícia, um pouco das inúmeras facetas dessa mulher que, em seus 52 anos foi, como esta cidade, uma força de resistência, com sua indomável teimosia, lutando, sem se curvar.

Respondendo a seu pedido telegráfico de atenção, muitos arquivos foram reunidos, criados e continuam sendo digitalizados, testemunhas vivas de sua memória e estão no Centro de Estudos Pagu Unisanta, um canal para comunicação. Além disso, deram origem, a partir de 1988, a livros 135, artigos, documentários, exposições, debates, mostras de teatro, realizações culturais.

Ela perguntou, no fim da vida, antes da segunda tentativa de suicídio, num momento em que considerou mortas todas as esperanças:

“(…) Sabem vocês o que é ser um canal?
Apenas um canal?
Gosto de bandeiras alastradas ao vento
Bandeiras de navio
As ruas são as mesmas.
O asfalto com os mesmos buracos,
Os inferninhos acesos,
O que está acontecendo?
É verdade que está ventando noroeste,
Há garotos nos bares
Há, não sei mais o que há.
Digamos que seja a lua nova
Que seja esta plantinha voacejando na minha frente.
Lembranças dos meus amigos que morreram
Lembranças de todas as coisas ocorridas
Há coisas no ar…
Digamos que seja a lua nova
Iluminando o canal
Seria verde se fosse o caso
Mas estão mortas todas as esperanças
Sou um canal.”

Patrícia morreu e foi velada na casa onde morava em Santos, na Avenida Washington Luiz, no canal 3. Repousa no cemitério do Saboó, nesta cidade que tanto amou.

Como cada um dos canais de Santos, veias abertas na cidade onde corre o mar, Pagu é travessia para diferentes pontos, para que não fiquemos parados à margem de nós mesmos. Daqui ela zarpou muitas vezes, mas sempre voltou. Sua natureza não admitia a acomodação de ficar restrita a um lugar totalmente. Andou por muitos lugares, terras e mares deste mundo tão grande. Mundo que, no dizer de Drummond, cabe nesta janela sobre o mar, da qual jamais partiu.

*Lúcia Maria Teixeira Furlani é escritora, autora de várias obras sobre Pagu, doutora em Psicologia, Presidente da Universidade Santa Cecília e do Centro Pagu Unisanta. www.pagu.com.br; lucia@unisanta.br


Nos 50 anos de morte de Pagu, Lúcia Teixeira Furlani divulga novos textos e documentos

Textos de Pagu das décadas de 40 e 50 e novo artigo de Lúcia serão publicados; exposição ficará no Centro de Estudos Pagu Unisanta de 10 a 20 de dezembro

Para celebrar os 50 anos da morte da jornalista e militante política e cultural, Patrícia Galvão, Pagu, que ocorrerão no próximo dia 12 de dezembro, Lúcia Maria Teixeira Furlani e o Centro de Estudos Pagu Unisanta publicarão novos textos e apresentarão exposição sobre essa mulher precursora e que, até hoje, no século XXI, desperta fãs de suas obras pelo Brasil e pelo mundo.

Em alusão à data, a pesquisadora e presidente do CEP Unisanta, Lúcia Maria Teixeira Furlani, preparou um novo artigo sobre a jornalista e divulgará textos muito esperados da Pagu jornalista, escritos para O Diário de São Paulo e A Tribuna, com a finalidade de aproximar ainda mais a militante cultural dos pesquisadores e do grande público.

A exposição de documentos, fotos, cartas de Pagu ficará aberta ao público, com entrada franca, de 10 a 20 de dezembro, no Centro de Estudos Pagu Unisanta. Lúcia tem várias obras publicadas sobre a musa modernista, em amplo e completo trabalho de pesquisa iniciado em 1987. Seu trabalho foi responsável pelo resgate do nome de Pagu, inclusive com o reconhecimento do Poder Público que, a partir de sua pesquisa, deu o nome de Pagu ao Centro de Cultura da cidade de Santos e à Oficina Cultural do Governo do Estado. Lúcia reuniu, recuperou e digitalizou mais de 3000 documentos de Pagu, sobre a vida e obra de Patrícia Galvão, da história de Santos e do país, no período em que a jornalista viveu, de 1910 a 1962, e que se encontram no Centro de Estudos Pagu Unisanta.

Fundado por Lúcia há 7 anos, junto com o site www. pagu.com.br, o Centro, sob a presidência de Lúcia, atende pesquisadores de todo o mundo e realiza inúmeras atividades culturais.

Lúcia acredita que “a data é mais um momento importante para ressaltar a mulher de vanguarda, a jornalista, a pioneira no estilo pós-moderno de agir e encarar o mundo e amante da Cidade de Santos que foi Pagu. Nosso trabalho no CEP Unisanta é revigorante, pois atendemos estudantes e pesquisadores do País e do mundo, que chegam ansiosos. Iniciamos a disseminação sobre a obra de Pagu em 1988. São inúmeros leitores, em muitas mídias, que atingem mais de 600 000 pessoas”, diz Lúcia.

“No CEP Unisanta já foram atendidas de forma direta cerca de 70 mil pessoas na Universidade e pelo site, além de palestras, eventos culturais, debates e exposições que fizemos por todo Brasil ao logo de todos esses anos, possibilitando a divulgação desse conhecimento”, conta a pesquisadora.

CEP Unisanta – O Centro de Estudos Pagu Unisanta, em Santos, reúne cerca de três mil arquivos originais e digitalizados sobre Patrícia Galvão, a grande maioria inédita. Colabora assim para difundir para todo o País essa memória, da qual é o depositário.

O Centro foi fundado em 2005, pela escritora e presidente da Unisanta, Lúcia Maria Teixeira Furlani. Constitui-se de material resultante de pesquisa por ela iniciada em 1987, a partir de seu primeiro livro sobre Pagu, “Patrícia Galvão – livre na imaginação no espaço e no tempo” (Editora Unisanta, 1988), transformado depois em filme, em 2001, ganhador do prêmio Exu Jorge Amado, da Jornada Internacional de Cinema da Bahia (sob a direção de Rudá de Andrade e Marcelo Tassara), ao qual se seguiram obras como “Croquis de Pagu” (Unisanta/Cortez Editoras, 2004) e “Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão” (Imprensa Oficial e Unisanta, 2010). Deste último participa como coautor Geraldo Galvão Ferraz, filho de Pagu e de Geraldo Ferraz.

Sede: Universidade Santa Cecília – CEP Unisanta- Biblioteca Central. Rua Dr. Lobo Viana, 27, 1º andar, Santos – SP. Telefone: (13) 3202.7180 / www.pagu.com.br / siga: @100anosdepagu


Viva Pagu com desconto especial, em homenagem a datas marcantes

O livro Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão, de autoria de Lúcia Maria Teixeira Furlani e co-autoria de Geraldo Galvão Ferraz, poderá ser encontrado com desconto especial, promovido pelas editoras da obra, a Imprensa Oficial do Estado e a Editora Unisanta

O leitor encontrará o livro, cujo preço é R$ 90,00, por R$ 50,00, por tempo limitado, em homenagem a datas marcantes deste ano, 50 anos da morte de Pagu e 90 anos da Semana de Arte Moderna de 1922.

A promoção é válida para aquisição virtual ou nas livrarias da Imprensa Oficial, situadas no Museu da Imagem e do Som e na Livraria XV de Novembro, ambos em São Paulo, e na Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos.

Não perca a oportunidade de adquirir essa obra tão importante para a história e a literatura do Brasil e do Mundo. Aproveite e também presenteie alguém especial.

Viva Pagu aborda,  em 348 páginas, ricamente ilustradas, a vida e a obra de Patrícia Galvão (1910-1962), jornalista, militante política, incentivadora da cultura e mulher precursora.

Serviços

Saiba onde encontrar o livro na Promoção, por tempo limitado:

Livraria Virtual – www.imprensaoficial.com.br/livraria

Livraria MIS – Museu da Imagem e do Som – Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo – SP. Telefone: (11) 30624229. Horário de atendimento – de 3ª a sábado, das 12h às 22h e domingos e feriados,  das 11h às 21h;

Livraria XV de Novembro – Rua XV de Novembro, 318. São Paulo – SP. Telefones: (11) 3105-6781 e 3101-6473. Horário de atendimento – de 2ª a 6ª das 9h às 18h. E-mail: livrariaxvnovembro@imprensaoficial.com.br

Unisanta – Universidade Santa Cecília – Rua Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão, Santos- SP, posto da tesouraria, térreo do Bloco M. Telefones: (13) 3202-7180 e 3232-2700. Horário de atendimento – de 2ª a 6ª das 9h às 20h. Sábados,  das 9h às 12h. E-mail: vivapagu@unisanta.br