Crônica Não tenha Medo do Escuro de Patrícia Galvão – Pagu

A crônica Não tenha Medo do Escuro, é uma carta de amor ao filho Rudá, que marca o encontro de ambos, após muitos anos separados.

      Vão aqui os dedos ao encontro da parede, dos cabelos amados, do sorriso que não vejo, ó lua negra na noite destrelada, passos que vêm agora, que vão, palavras em língua estranha me servem chá preto, pão preto, arroz preto, verduras pretas. E a noite noturna vagando este coração todo escaninho aberto às brisas punhais da lembrança, do azul, do amarelo, do branco, daquela rede trançada, os quadros muito amados, a paisagem, a velha parede, as folhas. Nenhuma lágrima a não ser este amargo canto negro que sobe na noite e vem servir de berceuse, sentimento abstrato de que me sirvo para me lembrar muitas vezes de meus olhos…

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Quereria lhe escrever Rudá nestas linhas a minha carta de amor da noite em que estamos perdidamente clandestinos no barco imenso que bóia sobre as águas do mundo tomado de dilúvio. Rios correm pelos sulcos de todos os países, bichinhos humanos pequeninos sem mãos adultas puxando seus passos infantes, e nós com a obrigação de amar-nos por nós e por todos nesta enseada onde bóia o grande barco agora chegado a nenhum cais. Não é lamento nem sofrimento – é apenas a constatação. Sei que me vês assim mesmo na noite. Cheguei com as mãos cheias de cravos. Ouvirás apenas o rumor silencioso deste perfume que sobe das pétalas de joelhos aos seus pés meu pequenino.

     Quereria lhe escrever esta carta de amor que não passará da noite noturna de nossas mãos unidas sobre estrelas mortas, vazios desertos, espaços sem mundos estelares, vácuo e silêncio, embora apenas se percebam os ruídos do outro lado. Do outro lado da parede. [i]

[i] Patrícia GALVÃO, Não tenha Medo do Escuro, Diário de São Paulo, 30/11/1947.

 

 


Lucia Teixeira fala para Record sobre Pagu e os Modernistas

Foi exibida no último sábado, (3/2), pela Record uma reportagem sobre os 96 anos da Semana de Arte Moderna de 1922, que marcou o início do Movimento Modernista no Brasil. A biógrafa de Patrícia Galvão (Pagu) e presidente da Unsisanta, Lúcia Teixeira, conversou com a equipe sobre a influência da jornalista e militante política e cultural entre os modernistas em sua segunda fase, o Movimento Antropofágico.

Confira a entrevista na íntegra:


Livro Viva Pagu é destaque em reportagem da TV Tribuna

O evento Viva Pagu – Feira das Minas foi inspirado no livro da biógrafa de Pagu e presidente da Unisanta, Lúcia Teixeira.

Como forma de divulgar e estimular o empoderamento feminino, a edição do Jornal A Tribuna 1ª Edição, da TV Tribuna, emissora filiada à Rede Globo, desta última segunda-feira, 5/11, exibiu a reportagem sobre o evento Viva Pagu – Feira das Minas, com a entrevista da presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e biógrafa de Patrícia Galvão (Pagu), Lúcia Teixeira.

A escritora prestigiou o evento que aconteceu no último sábado, 3/11, e ganhou esse nome por inspiração em seu livro Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão. “O Livro Viva Pagu, que marcou o Centenário de Pagu, deu origem a várias iniciativas, fico muito feliz que é o nome desse seja evento também!”, falou Lúcia para os jornalistas.

Na oportunidade, os participantes da Feira puderam adquirir o livro, cujo preço é R$ 90,00, por R$ 45,00, em prol das atividades promovidas pelo Instituto Neo Mama, pois a renda arrecada com a venda do livro foi doado ao projeto.

Viva Pagu aborda, em 348 páginas, ricamente ilustradas, a vida e a obra de Patrícia Galvão (1910-1962), jornalista, militante política, incentivadora da cultura e mulher precursora.

Exibição do documentário Viva Pagu – Na programação da Feira, no Museu da Imagem de Som de Santos – MISS foi exibido o documentário Viva Pagu, também baseado na Fotobiografia de Lúcia Teixeira. Desenvolvido pelos profissionais do Espaço Unisanta, com a direção da jornalista, Alessandra Pereira, o filme tem cerca de 13 minutos de duração.

A autora – Lúcia Maria Teixeira é Mestre e Doutora em Psicologia da Educação, autora também  de “Pagu – Livre na imaginação, no Espaço e no Tempo”, “Croquis de Pagu”, “A Claridade da Noite” e dos infantis “Tudo É Possível” e “O Segredo da Longa Vida”, entre outros. É presidente da Universidade Santa Cecília e presidente do Centro de Estudos Pagu Unisanta (CEP), em Santos.

Sobre o CEP – O Centro de Estudos Pagu Unisanta, em Santos, reúne ao redor de 3000 arquivos originais e digitalizados sobre Patrícia Galvão, a grande maioria inéditos. Colabora assim para difundir para todo o país essa memória, da qual é o depositário.

O Centro foi fundado em 2005 pela escritora e pesquisadora Lúcia Maria Teixeira. Constitui-se de material resultante de pesquisa por ela iniciada em 1988, a partir de seu primeiro livro sobre Pagu, “Patrícia Galvão – livre na imaginação no espaço e no tempo” (Editora Unisanta, 1988), transformado depois em filme, em 2001, ganhador do prêmio Exu Jorge Amado, da Jornada Internacional de Cinema da Bahia (sob a direção de Rudá de Andrade e Marcelo Tassara), ao qual se seguiram obras como “Croquis de Pagu – e outros momentos felizes que foram devorados reunidos” (Unisanta/Cortez Editoras, 2004), que culminaram com a organização do maior arquivo existente no Brasil sobre Patrícia Galvão, o Centro de Estudos Pagu Unisanta.

Clique aqui e confira a reportagem.

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Documentário sobre Pagu conta com a pesquisa de Lúcia Teixeira

A biógrafa de Patrícia Galvão, a Pagu, e presidente do Centro de Estudos Pagu Unisanta (CEP), Lúcia Teixeira, concedeu entrevista na manhã da última quarta-feira, 8/04, para o grupo denominado “Berenice Filmes”, formado por alunos de Cinema e Audiovisual.

A entrevista de Lúcia e as pesquisas do grupo no CEP farão parte do documentário “As estações de Pagu”, que será apresentado em junho deste ano, como trabalho de conclusão de semestre e tem o objetivo de contar a história da vida pessoal de Patrícia Galvão.

“É muito gratificante receber jovens tão interessados e preparados para conversar sobre Pagu. O seu legado ainda é muito atual e nos faz refletir sobre muitos aspectos sociais e políticos em que vivemos até hoje. Ver o trabalho que desenvolvemos no CEP rendendo frutos e chegando até os estudantes e pesquisadores de todo Brasil mostra que estamos conquistando do nosso objetivo, que é de levar o nome desta mulher percursora a todos”, disse a biógrafa.

O documentário mostrará que Pagu por meio de suas poesias expressa sua própria subjetividade em diferentes momentos de sua vida, desde sua adolescência até seus últimos anos de vida, criando uma relação metafórica com as características das estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Ao mesmo tempo em que enfatiza a ligação de Pagu com Santos, cidade que um dia foi seu “refúgio”.

Com linguagem poética e imagens conceituais o documentário exibe as fases da vida de Patrícia Galvão, desde a estação primavera, fase de sua vida em que escrevia poesias alegres, quentes e sem ressentimentos; Até o inverno, estação em que se tornou uma pessoa cheia de arrependimentos e principalmente imersa em sua fria solidão.

Centro de Estudos Pagu Unisanta – Localizado em Santos, na Unisanta, reúne cerca de três mil arquivos originais e digitalizados sobre Patrícia Galvão, a grande maioria inédita. Colabora assim para difundir para todo o País essa memória, da qual é o depositário. Fruto da pesquisa de Lúcia, muitos outros trabalhos – teses, livros, exposições, peças de trabalho, audiovisuais – foram produzidos a partir do seu incentivo e do Centro Pagu Unisanta.


Confira a entrevista da Lúcia Teixeira ao Portal Imprensa

“Fama de porra louca, tudo bem!”, é com o verso da música “Pagu, de Rita Lee que o Portal Imprensa inicia a reportagem sobre o legado de Patrícia Galvão, com a entrevista da biógrafa de Pagu, Lúcia Teixeira.

Confira a entrevista na íntegra no site do Portal Imprensa.


Uma data para não perder Pagu

Há 52 anos o mundo perdeu uma de suas maiores percursoras das lutas sociais e idealizadora da disseminação da cultura. Patrícia Galvão partiu no dia 12 de dezembro de 1962, deixando um legado imenso de ideias, histórias, arte e muita literatura e teatro.

Com mais de 20 anos de pesquisa da biógrafa de Pagu, Lúcia Teixeira, o Centro de Estudos Pagu Unisanta mantém um acervo com esse legado, contendo mais de 3 mil documentos inéditos e digitalizados, fruto dessa investigação.

Além de acondicionar e manter todo esse material à disposição de estudantes e pesquisadores, o Centro trabalha diariamente na divulgação e disseminação de toda vida e obra da musa do modernismo.

Assistam a última reportagem sobre todo esse trabalho idealizado por Lúcia, em entrevista que deu ao canal a cabo, Arte 1:


Canal Arte 1 entrevista Lúcia Teixeira sobre Pagu

Nesta sexta-feira, 10/10, a presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e idealizadora do Centro de Estudos Pagu Unisanta (CEP), Lúcia Maria Teixeira, recebeu a equipe de reportagem do programa Em Movimento, do Canal Arte 1, do grupo Band, veiculado na TV a Cabo.

Lúcia apresentou os mais de 3 mil documentos inéditos do CEP e contou sobre seus mais de 20 anos de pesquisa, sobre a Patrícia Galvão, a Pagu. A autora e biógrafa de Pagu também mostrou a importância da pesquisa para a literatura do Brasil e da divulgação da vida e da obra desta jornalista, militante política e cultural.

“É sempre um prazer receber os jornalistas no Centro de Estudos Pagu Unisanta, pois assim perpetuamos e ampliamos ainda mais esse trabalho de mostrar para o mundo quem foi Pagu. Suas obras, como o Parque Industrial, por exemplo, ainda é muito atual e reflete uma realidade sobre a política e a sociedade de nosso País e todos precisam ter acesso a esse conteúdo”, explicou Lúcia.


Fotógrafas chilenas expõe no ECO Mirada 2014 com o Tema Pagu

Nesta segunda-feira, 1º de setembro, o Centro de Estudos Pagu Unisanta (CEP) recebeu a visita de três fotógrafas do Chile, participantes do  E.CO Mirada 2014 – Encontro Ibero-americano de Coletivos Fotográficos, que integra a programação do Mirada – o Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos.

As chilenas Macarena, Marcela e Andrea apareceram de surpresa no CEP, após pesquisarem pela cidade de Santos sobre a Patrícia Galvão.  “No E.CO a proposta é  que encontrássemos alguma referência, bem expressiva da Cidade, para trabalharmos um painel para a nossa exposição. Assim que chegamos ao Brasil, pensamos em retratar mulheres fortes, pois é uma causa muito importante do nosso país. E nos apresentaram a Pagu”, contou Andrea.

Logo, as fotógrafas foram indicadas para buscar no CEP mais informações e materiais para a exposição. “É incrível conhecer a história de Pagu e saber da importância de sua vida em nosso presente. Para compor a exposição também buscamos outras personagens como ela e vamos identificá-las, destacando uma moradora de São Vicente, a Maria, que ainda batalha nos dias de hoje  contra algumas repressões, como as agressões que sofra do ex-marido”, explica Macarena.

A exposição com o painel das visitantes do CEP foi inaugurado nesta quinta-feira, 4/09, e pode ser visitada até 20/09, na Área de Convivência do Sesc Santos, de terça a sexta das 9h às 21h30, sábados, domingos e feriados das 10h às 18h30, na Rua Conselheiro Ribas, nº 136.

Exposição de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos – O Sesc Santos abriga a exposição com trabalhos dos 20 coletivos convidados para participar do Encontro Ibero-Americano de Coletivos Fotográficos, a partir da seleção de uma curadoria própria, cujo princípio é apresentar uma coleção de olhares múltiplos sobre a produção fotográfica contemporânea desses artistas. A exposição completa o processo iniciado uma semana antes do festival, quando cerca de 50 artistas fotógrafos clicaram a cidade de Santos como um grande laboratório de observação em tempo presente.

 

 


Morre Norma Bengell, diretora do filme “Eternamente Pagu”

A atriz e cineasta Norma Bengell, de 78 anos, morreu por volta das 3h desta quarta-feira (9). Ela estava internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Rio-Laranjeiras e foi cremada hoje (10), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

A artista carioca, Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães D’Áurea Bengell, é considerada uma das maiores musas do cinema e do teatro brasileiros nas décadas de 1950, 1960 e 1970. Em 1962, ela foi a responsável pelo primeiro nu frontal do cinema brasileiro, no filme Os Cafajestes. Norma também foi a diretora do filme “Eternamente Pagu”, 1988.

O longa metragem foi o primeiro filme com a direção de Norma e retrata a história de Patrícia Galvão, a Pagu. Sobre esse mesmo tema, há o curta metragem “Pagu- Livre na Imaginação, no Espaço e no Tempo”, baseado no livro homônimo de Lúcia Maria Teixeira Furlani, uma realização dessa autora e dirigido por Rudá de Andrade e Marcelo Tassara.

Os outros filmes sob a direção de Norma foram: “O Guarani” (1997), “Magda Tagliaferro – O Mundo Dentro de um Piano” (2005) e “Infinitivamente Guiomar Novaes” (2005).

A ligação de Norma com Pagu não se resumia apenas à direção de um filme sobre a musa do modernismo. Norma também ficou conhecida, entre os artistas de sua época, pela luta contra o autoritarismo das ditaduras. “Vai ficar saudade. Era insubstituível. Ela que abria todas as passeatas contra a ditadura [1964 – 1985]. Foi revolucionária”, disse o ator Ney Latorraca, em entrevista ao G1 Rio.

 

 

 

 

 


Lúcia Teixeira participa de audiência da Comissão da Verdade, que acontece amanhã, 19/6, na Unisanta

A presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e biógrafa de Pagu, Lúcia Maria Teixeira Furlani, participará da segunda audiência pública da Comissão da Verdade Prefeito Esmeraldo Tarquínio, da Câmara de Santos.  Com o tema “Mulheres que lutam: hoje e ontem”, o evento será realizado na próxima quarta-feira, dia 19/6, a partir das 19h, no Consistório da Unisanta (Rua Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão).

Lúcia contribuirá com seus estudos sobre a vida e a obra de Patrícia Galvão, a Pagu, e irá relatar sobre fatos descobertos ao longo de 25 anos de pesquisas sobre a militante política e cultural, que mudou a história do Brasil e do Mundo entre as décadas de 20 a 60. O trabalho de Lúcia resultou em várias obras, na criação do site www.pagu.com.br e do Centro de Estudos Pagu Unisanta, o maior arquivo do País sobre o assunto. Ambos são visitados por pesquisadores de todo mundo, que têm acesso a documentos que Lúcia recuperou, digitalizou e divulgou, trazendo à luz fatos que estavam na clandestinidade e esclarecendo a história recente do País.

“Lúcia iniciou a Comissão da Verdade, ao longo desses anos de pesquisa, antes mesmo dela ser instituída. Ter o seu apoio e do acervo documental do Centro de Estudos Pagu Unisanta será de grande prestígio e importância para a Comissão”, disse Fernanda Vannucci, vereadora de Santos e vice-presidente da Comissão.

O evento terá como uma das debatedoras a advogada Sônia Morozetti, dirigente do PCB à época das lutas de resistência à ditadura militar. E por fim, haverá um depoimento de Débora Maria da Silva, coordenadora do movimento “Mães de Maio”, que reúne familiares dos jovens sem qualquer ligação com o crime organizado, mortos durante o confronto entre o Estado e uma facção criminosa, em maio de 2006.

“Será mais um momento ímpar para o resgate de páginas importantes de nossa história, com o foco nas mulheres que participaram ativamente da luta pela redemocratização do Brasil, sofrendo duramente com a mão de ferro dos órgãos de repressão da ditadura militar”, enfatiza o vereador Evaldo, que é líder do PT no Legislativo de Santos.

Conforme explica o presidente da Comissão da Verdade, o objetivo do evento será mostrar que, ao longo da história brasileira, muitas mulheres dedicaram e dedicam suas vidas à luta para ampliar direitos e expandir sua participação nos espaços de poder. Da mesma forma, dar voz àquelas que não se calam diante da mão pesada do Estado que tira vida de seus entes.

“Nesse sentido, a Débora, do movimento “Mães de Maio”, está para a luta pelo esclarecimento das mortes dos jovens em maio de 2006 como esteve a estilista Zuzu Angel para esclarecer o assassinato de seu filho pelo regime militar,” conclui o vereador Evaldo.

Na primeira reunião pública da Comissão Prefeito Esmeraldo Tarquínio, a discussão girou em torno do navio prisão Raul Soares.