Exposição Viva Pagu e filme de Lúcia Teixeira são atração no Mulherio das Letras II Encontro Nacional – Guarujá 2018

A exposição Viva Pagu, baseada na obra da escritora Lúcia Teixeira, é atração no Teatro Procópio Ferreira, em Guarujá, entre os dias 2 a 4 de novembro, quando acontece o II Encontro Nacional de Literatura Mulherio das Letras.  O evento receberá escritoras do Brasil inteiro e homenageará Patrícia Galvão, a Pagu, entre os dias 2 a 4 de novembro, no Teatro Procópio Ferreira.

Na abertura do Encontro, dia 2, às 15 horas, será apresentado o vídeo de Lúcia Teixeira sobre Pagu, denominado ” Não passou em brancas nuvens”. No filme e na exposição, Lúcia mostra a vida e a obra de Patrícia Galvão.

“Vamos celebrar a cultura, como espaço de transformação. Pagu, incansável na busca por conhecimento, na atuação de vanguarda na literatura, no jornalismo, na cultura e nos costumes sociais, instigante e polêmica, é resgatada em imagens e textos belos e fortes, como foi a sua vida. Com sua mensagem corajosa, mostra muito da nossa região, do Brasil e de cada um de nós. Receber todas essas mulheres nesse grande encontro literário será mais um grande momento de afirmação das liberdades”, explica a biógrafa de Pagu, Lúcia Teixeira.

Lúcia Teixeira, além de escritora, é presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e do Centro Pagu Unisanta. O acervo de Lúcia mantém cerca de três mil documentos catalogados e digitalizados sobre a vida e a obra de Patrícia Galvão. Aberto à pesquisa e à comunidade, incentiva a produção de conhecimento e o diálogo sobre a realidade brasileira.

2018 celebra também trinta anos desde a primeira publicação de Lúcia sobre Pagu. São obras que foram indicadas ao Prêmio Jabuti, o mais importante na Literatura brasileira, além de serem motivação para teses, livros, filmes, peças e outras produções culturais e científicas. Entre suas obras, os livros “Pagu- Livre na Imaginação, no Espaço e no Tempo”, ao qual se seguiram “Croquis de Pagu” e “Viva Pagu – Fotobiografia de Patrícia Galvão”, além de outras publicações e realizações culturais.

Abertura da Exposição

A partir do dia 2/11 às 14h, no Teatro Procópio Ferreira (av. D.Pedro I, 350, Enseada) o evento tem uma grande programação de abertura. A mostra pode ser vista até 4 de novembro, das 9h às 20h.

Programação Mulherio das Letras II Encontro Nacional – Guarujá 2018

Dia 02 de Novembro

14h – Recepção – Teatro Municipal Procópio Ferreira (Av. dom Pedro I, 350, Enseada, Guarujá).

Exposição sobre Pagu – Acervo Lúcia Teixeira/Centro de Estudos Pagu-Unisanta

15h às 16h – Quem é Pagu? Mesa com Dra. Betty Vidigal e Dra. Lúcia Teixeira, com exibição do vídeo “Não passou em brancas nuvens”, de Lúcia Teixeira. Mediação de Sophia Castellano.

 


Parque Industrial na Quinzaine Littéraire

Um dos mais prestigiosos jornais sobre cultura da França, o Quinzaine Littéraire, publicou um artigo de Odile Hunolt sobre o Parque Industrial, principal obra literária da Patrícia Galvão. A publicação ocorreu em 2015, foi realizada pela editora Le Temps des Cerises e merece bastante destaque pela própria importância da Quinzaine Littéraire na França, à qual acederam pouquíssimos escritores brasileiros.

Na imagem o artigo em francês e, mais abaixo, a tradução para o português das principais ideias apontadas no artigo.

Apresentado e com que desenvoltura por um prólogo de Liliane Giraudon e o longo posfácio do tradutor Antoine Chareyre, Parque Industrial é um curto romance publicado em fins de 1932 no Brasil sob o pseudônimo de Mara Lobo. Mara Lobo é Pagu . Pagu é Patricia Galvão.

Nos trechos traduzidos da resenha que se segue, Odile Hunolt comenta:

O romance nos reserva quatro choques sucessivos, o primeiro é uma capa construtivista, inspirada na capa agressiva, magnífica ,publicada no Brasil em 1932. O segundo choque é o próprio prefácio de Liliane Giraudon,esplêndida exposição biográfica da autora. O terceiro choque são as duas epigrafes, violentamente contrastantes, das quais transcrevemos a segunda:

” a estatística e a história da camada humana que sustenta o Parque Industrial de São Paulo e que fala a língua desse livro, se encontram, sob o regime capitalista nas prisões, nos barracos operários, nos hospitais e nas morgues”.

Tudo isso foi dito, mas o quarto choque e o não menos importante é o texto vivo como um jogo de ping-pong que esculpe em pequenos capítulos cujos títulos parecem chicotadas as esperanças e desesperos de meia dúzia de operários têxteis.

É um texto sincopado, elíptico, brilhante que, pontuado de slogans frontalmente marxistas mostra uma língua que não se fala mais, aqui usada com um frescor surpreendente, que desempenha um papel importante inclusive esteticamente nesse romance.

Pagu joga com todos os elementos de uma dinâmica que oscila entre a sutileza e a caricatura , esses dois contrários bastante trabalhados. Ela nos lança apressadamente de um setor ao outro da luta de classe, dos operários com seus barracos aos hotéis elegantes, em uma sequência viva como o mercúrio .
Alguns meses após a publicação do livro, um critico escreveu “ parece que para a autora o objetivo da revolução é o de resolver a questão sexual”.

Mas o que Patricia Galvão realmente faz é sublinhar em fortes traços negros as estruturas econômicas do Brasil no começo dos anos 930 e, numa forma mais fina, mostrar as relações humanas tal como são pervertidas social, econômica e intelectualmente pelo capitalismo, quer dizer, mostra a degradação que as relações de classes trazem para as relações humanas.

No romance, os indivíduos se cruzam, se misturam, cada qual com seus projetos, suas ideias por alguns momentos, a duração de um carnaval ou de uma relação amorosa, mas, como a água e o óleo, nunca se fundem.

Patricia Galvão varre as aparas do ego: a tensão de sua reflexão e sua temperatura conseguem ultrapassar o narcisismo de uma jovem super dotada, bonita, arrogante, fascinante. Sobram um pensamento e uma arte; quer dizer: uma obra de arte.

Dito tudo isso, é bom deixar o futuro aberto, porque Pagu tornou-se uma lenda!


Parque Industrial é publicado na França

O artigo de Clara Domingues foi publicado no site CHARYBDE em 2017, o livro Parque Industrial da Pagu foi publicado pela editora Le Temps des Cerises em 2016, o que mostra que o impacto dessa tradução não acabou simplesmente com a publicação, mas continua repercutindo na França.

Charybde 27: le blog, billet du 15 juin 2017

Confira a tradução:

A vida e a luta das operárias tecelãs em São Paulo, sua opressão pelo capitalismo e o patriarcado, suas resistências e seus comprometimentos com a burguesia são os principais assuntos abordados por esse romance realista. O propósito é claramente social e político, feminista e marxista.

A autora, Patricia Galvão, Pagu( 1910-1962) era uma mulher engajada, participou da esquerda radical e cultural da vida brasileira e participou de ações dos partidos comunistas do Brasil e da França.

Pagu foi a primeira mulher feita prisioneira por razões politicas no Brasil. Implicada nas manifestações do Front Populaire francês ela  também foi presa na França.

Parque Industrial é considerado o primeiro romance proletário do Brasil e foi publicado em 1933. Agora aparece uma tradução francesa dessa obra, publicada pela editora Le Temps des Cerises, com um posfacio do tradutor Antoine Chareyre que fornece informações preciosas sobre o contexto histórico de seu pais, assim como notas sobre a vida e os engajamentos de Patricia Galvão.


FLIP – Feira Literária Internacional de Paraty, começa hoje

Semana da realização da Flip – Feira Literária Internacional, em Paraty e diante desse momento pensamos nos grandes nomes da literatura nacional, entre eles o de Patricia Galvão, a Pagu.

Em 2010, a escritora Lúcia Maria Teixeira falou sobre Pagu na programação oficial desta Feira Literária Internacional, ressaltando a sua vida e obra, com apresentações multimidia. O livro Viva Pagu, de autoria de Lúcia e Geraldo Galvão Ferraz, que homenageia os 100 anos de Pagu, indicado ao Prêmio Jabuti, foi também destaque na programação da Flip.

Lúcia celebrou a Pagu escritora, jornalista, mulher precursora e ativista cultural e política, ressaltando que:

“Nunca foram tão necessários seus sonhos de mundos imaginados que nos abrem caminhos, nos movem, dando razões para desejar e buscar realidades melhores que as atuais.

Ela ainda tem muito a nos dizer. Uma fala que busca raízes no terreno incerto e perigoso dos atos, das práticas, da existência, sempre como síntese imperfeita. E, assim, nos faz companhia na luta, crença, valores, paixão, desejo e emoção.

A história continua, portanto, aberta a novas propostas e ao fazer junto, em seu não acabamento essencial. Nossa antropófaga, um ser-em-mutação, mutação-em-ser, venceu a morte, ou melhor, deglutiu-a. Conquistou a sobrevida por meio de seus sonhos, ideias, afetividade e desejos, que são, afinal, o que nos dá condições de existência. “É a vida que flui, a arte que permanece, e entre o que passa e o que fica, os homens traçam a sua grandeza e a sua dignidade” – Lucia Teixeira.

Hoje trataremos o texto mais famoso de Pagu – PARQUE INDUSTRIAL.

Publicado em 1933, quando Patrícia Galvão, contava com apenas 23 anos de idade. Esse texto foi lançado, por injunção do Partido Comunista Brasileiro no qual a autora militava sob o pseudônimo de MARA LOBO.

Motivo: o Partido a julgava muito intelectual por essa atividade de escritora e, naquela época, só eram valorizadas nesse partido as atividades braçais. Essa edição limitada foi paga por Oswald de Andrade, com quem Pagu era então casada.

Em 1981, a editora Alternativa lança uma edição fac-similar do texto, embora alterando a capa, que originalmente era de Lívio Abramo e nesta edição é de Cláudio Rocha. A edição tem prefácio de Geraldo Galvão Ferraz, o filho de Pagu com o escritor, jornalista, crítico de artes plásticas, urbanismo e arquitetura, Geraldo Ferraz, e finalmente ganha o verdadeiro nome de sua autora – Patricia Galvão – Pagu. É então a vez desse texto, preocupado com a classe proletária brasileira, aqui mostrada através das tecelãs das fábricas do Brás, onde Pagu morou em certa época, deixando de lado a família aristocrática, deixa de ser comunista para se provar universalmente humano.

Em 1993, numa impressão da University of Nebrasca , em tradução de Elizabeth e David Kenneth Jackson, Pagu mais uma vez rompe fronteiras. Parque Industrial – o Primeiro Romance Proletário Brasileiro – ganha o mundo e aterriza nos Estados Unidos da América pelas mãos dos professores doutores Elizabeth e K. David Jackson, estudiosos da literatura brasileira.

 

 

 

Anos depois, em 2013, ainda uma vez era hora do Brasil homenagear essa escritora, feminista avant la lettre, jornalista, tradutora, apaixonada pela literatura e o teatro, que traduziu e trouxe para o Brasil autores de toda Europa e aqui descobriu profissionais da estatura de Plínio Marcos. E, finalmente a escritora, sempre preocupada com o humano, que escreveu o primeiro romance proletário brasileiro, viu definitivamente reunidos seu nome e a capa original de sua obra, em um desenho realizado por Lívio Abramo. Pagu não poderia ser esquecida, então a editora Cintra publica na versão digital, em e-book, o Parque Industrial.

Porém, Pagu, com sua preocupação humanitária e feminista, com seu texto precioso, não se prende a territórios e, uma vez transposta a fronteira das Américas com seu voo para os Estados Unidos, seu PARQUE INDUSTRIAL, o primeiro romance proletário, no mesmo ano de 2013, ganha a Europa em tradução de Elena Bulic, desta vez aterrizando na Croácia. O povo croata, tão sofrido, recebe o livro como um presente dessa tradutora, uma estudiosa brasilianista que descobriu o livro em uma feira literária na Itália.

Assim, rompendo fronteiras entre intelectuais e um povo sofrido e sem voz, Pagu segue sua trajetória humanitária e literária e, ainda em 2013, o PARQUE INDUSTRIAL ganha sua edição em e-book, em espanhol, pela editora Cintra, em tradução do professor Dr. Martim Camps, brasilialista, autor/tradutor mexicano que trabalha na Universidade de Houston, e acreditou nessa obra de Pagu por conhecer as nefastas condições de trabalho das tecelãs no norte de seu país, o México. Posteriormente, o professor Martim Camps lança, em uma edição do próprio tradutor, esse texto em versão impressa.

Finalmente, em 2015, o Parque Industrial de Pagu volta à Europa pelas mãos do tradutor Antoine Chareyre e é publicada pela editora Le Temps des Cerises, com prólogo de Liliane Giraudon e boa aceitação naquele país, que dedica vários artigos elogiosos ao texto. Ignorante dos problemas dos tecelões brasileiros na época da industrialização, mesmo assim, a França reconhece a qualidade do texto de Pagu e o aplaude.  Para o próximo ano de 2019 está contratada a publicação de Paixão Pagu- autobiografia precoce de Pagu, pela mesma editora e o mesmo tradutor.

 

No início de 2018, a editora Linha a Linha, que “nasceu das inquietações com o mundo e com o objeto-livro”, como dizem seus editores, reconhece, abriga e publica o PARQUE INDUSTRIAL dessa Pagu inquieta com o mundo, com os livros, inquieta com a humanidade! Nessa publicação temos uma versão criteriosa, com prefácio de Augusto de Campos autor, entre outros livros, de Pagu-Vida-Obra, em primeira edição pela editora Brasiliense e em segunda edição de 2014 pela Companhia das Letras, e artigos-estudos de Kenneth David Jackson (A Dialética Negativa de Parque Industrial) o tradutor dessa obra para o inglês, como já apontado e notas explicativas, necessárias tantos anos passados da primeira publicação, assim como artigos críticos de Antoine Chareyre – tradutor da obra para o francês. O lançamento do Parque Industrial em português, dessa vez se deu no espaço Tapera Taperá, que fica na Galeria Metrópole em São Paulo e contou com a fala de estudiosos de Pagu, numa simpática reunião.

 


Pagu nas artes sonoras – escolas de samba, blocos e músicas

Em 2000 Rita Lee lança no seu álbum intitulado 3001, PAGU,  uma música quase tão irreverente quanto a musa, cuja letra, que  segue aqui copiada remonta à mulher Pagu politica dos palanques, feminista antes de seu tempo-

Essa música que faz parte das seis músicas feministas de Rita Lee, fez tremendo sucesso e ainda faz, porque o mito PAGU está mais vivo do que nunca, tanto que a música foi regravada em vários discos de Rita Lee, e apresentada em palco diversas vezes por artistas da importância de Zélia Duncan, que a cantou em show ao lado de Rita Lee e Maria Rita.

Segue abaixo a letra completa:

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Hum! Hum!

Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Hum! Hum! Hum! Hum!
Minha força não é bruta
Não sou freira, nem sou puta

Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Ratatá! Ratatá! Ratatá!
Taratá! Taratá!

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Hanhan! Ah! Hanran!
Fama de porra louca, tudo bem!
Minha mãe é Maria ninguém
Hanhan! Ah! Hanran!

Não sou atriz, modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima

Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Ratatá! Ratatatá
Hiii! Ratatá
Taratá! Taratá!

Compositores: Rita Lee Jones Carvalho / Zelia Cristina Goncalves Moreira

Letra de Pagu © Warner/Chappell Music, Inc
Rita Lee

Data de lançamento- 2000 pela MTV no álbum 3001

Pagu – Rita Lee

Pagu – Maria Rita

Além dessas gravações, Rita Lee regravou várias vezes a música, em vários álbuns, como em Cobra Venenosa e Cor de Rosa Choque, cuja capa e link reproduzimos a seguir:

Homenagem Escola de Samba X9, em Santos

Pagu foi samba enredo pela Escola de Samba X9, em Santos, no ano de 2006. Desenvolvido pelo carnavalesco Renato Di Renzo, na época, professor da Faculdade de Artes e Comunicação da UNISANTA, o enredo teve como base a biografia de Pagu, escrita por Lúcia Maria Teixeira Furlani, e mostrou o período glamouroso em que Patrícia Galvão surge no Modernismo, por intermédio do escritor Oswald de Andrade e da artista plástica Tarsila do Amaral. Tarsila e Oswald formavam o casal mais badalado e admirado da alta sociedade paulistana e orientaram a carreira de Pagu. Nesse período, Oswald vive um caso de amor com Pagu e deixa Tarsila.

A escola também levou para avenida a Pagu como introdutora da soja no Brasil, sua militância política (foi a primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos, na greve dos estivadores, em Santos), sua contribuição ao teatro amador, além de citar o Bar Regina, que Pagu freqüentava, reduto de intelectuais e da boemia santista nos anos 50.

Bloco Pagu faz carnaval de rua empoderado no Centro de São Paulo

“O Pagu é um dos blocos paulistanos que aposta na união e na resistência feminina. Leva às ruas da capital paulista uma coleção de músicas que se tornaram famosas pela interpretação de mulheres e conta com o apoio de 80 percussionistas . Para a trilha sonora deste ano de 2018 dos foliões foram escolhidos os clássicos eternizados por Marina Lima, Gal Costa, Elba Ramalho, Tetê Espíndola, Rita Lee e até Madonna”, é definido nas palavras de Thereza Menezes, sua fundadora.

O bloco aceita a participação de homens e traz uma figura estilizada de Pagu como seu logo.


Pagu no teatro, como personagem, criadora, diretora e tradutora de peças que apresentaram autores europeus aos brasileiros

Em 1952 Pagu frequentou a EAD- Escola de Arte Dramática dirigida por Alfredo Mesquita de quem se tornou muito amiga.

Anos depois, em 1958, tendo ao lado Paschoal Carlos Magno, grande figura do teatro brasileiro, Pagu cria o FESTA- Festival de Teatro Amador de Santos, possivelmente o mais antigo festival de teatro do Brasil. Nessa empreitada Pagu atuou como tradutora- trouxe para o conhecimento dos brasileiros autores como Antonin Artaud, Eugène Ionesco de quem traduziu e encenou A CANTORA CARECA e Fernando Arrabal, de quem traduziu e encenou FANDO E LIS que trazia em seu elenco, entre outros o jovem Plínio Marcos, em cujo talento ela acreditava depois de ter lido Barrela, peça escrita por ele mais tarde sucesso no teatro brasileiro.

Décadas depois, entretanto, Pagu se tornou personagem de várias peças, a primeira delas em 2004- PAGU QUE- tendo Christiane Tricerri como atriz e diretora com estréia no SESC Belenzinho e em encenações diversas por várias casas de teatro do país.
Nessa peça, cujo título é baseado em uma das poesias de Pagu, Tricerri narra importantes trechos de uma Pagu amargurada, já perto do final de sua vida .

Já PAGU PRA QUE, é peça baseada na tese de mestrado de Tereza Freire -DOS ESCOMBROS DE PAGU-, que em 2010 subiu ao palco do teatro Eva Hertz no espaço da Livraria Cultura contando, além da autora Tereza Freire com a direção de Roberto Lange e a atriz Renata Zhaneta num emocionante monólogo que revisita a vida da escritor mãe, jornalista, tradutora, primeira presa politica do país na ditadura do governo de Getúlio Vargas.
Em 2017 Gleice Ucha encena novamente essa peça-monólogo em vários teatros do País.

Finalmente em 2015 é encenada a peça DIÁRIO DE UMA REVOLUCIONÁRIA , no espaço da Companhia do Feijão, desta vez baseada no livro PAIXÃO PAGU, autobiografia precoce de Patricia Galvão, escrito quando ela tinha apenas 32 anos em forma de uma longa carta da prisão para Geraldo Ferraz, que viria a ser seu segundo marido.
Nessa encenação a direção é de Pedro Pires e coloca em cena várias atrizes como Inês Soares Martins, Mila Fogaça, Natália Xavier, Thais Podestà e Vanessa Garcia, todas representando Pagu em diversos momentos e movimentos de sua vida.aterial de teatro para a EAD de Alfredo Mesquita e hoje, com a m
orte de Mesquita, todo esse material se encontra na ECA da USP.

Em 1962, pouco antes de sua viagem para a França,para tentar continuar sua luta contra um câncer nos pulmões, Pagu entregou todo seu material de teatro para a Escola de Arte Dramática- ( EAD ) de Alfredo Mesquita e posteriormente, com a morte de Mesquita, todo esse material foi entregue para a Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP juntamente com todo o material da própria EAD.

No teatro é isso, mas acredito que seria bacana já colocar a noticia de que no último sábado foi lançado no espaço cultural Tapera Taperá, a versão impressa do livro Parque Industrial pelo editorial Linha a Linha, uma versão crítica com artigos de Augusto de Campos, e os tradutores/estudiosos David Jackson (o tradutor para os EUA) e Antoine Chareyre) (tradutor para a França). Esse livro estava há décadas fora do mercado impresso, tendo apenas uma versão digital pela editora Cintra.


Pagu – Patrícia Galvão: livre na imaginação, no espaço e no tempo

Sinopse
Narra a trajetória da vida de Pagu, Patrícia Galvão (1910-1962) que teve destacada atuação no cenário político e cultural brasileiro. A Pagu ousada, polêmica, musa de rara beleza e glamour, participante do Modernismo, em sua fase mais revolucionária, a Antropofagia, militante do Partido Comunista Brasileiro e depois dissidente e crítica do mesmo partido, a primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos, torturada e perseguida. Romancista, poeta, jornalista, inovadora, sempre salientando a vanguarda, crítica de letras, artes, televisão e teatro, introdutora das primeiras sementes de soja trazidas e plantadas no Brasil, vindas da China, a incentivadora da cultura e do teatro, a mulher precursora.

21 minutos de emoção mostram 52 anos de vida de Pagu por meio de fotos e documentários, constituindo-se em filme obrigatório para todos os que se interessam pelos destinos do País e do mundo.

Baseado no livro Pagu – Livre na Imaginação no espaço e no Tempo, de Lúcia Maria Teixeira, Editora Unisanta.

Apresenta desenhos de PAGU, inclusive inéditos de seu CADERNO DE CROQUIS, e de FEDERICO GARCIA LORCA.

FICHA TÉCNICA – curta-metragem
PAGU LIVRE NA IMAGINAÇÃO, NO ESPAÇO E NO TEMPO
Realização e roteiro:
Lúcia Maria Teixeira
baseado no livro homônimo de sua autoria
Direção:
Rudá de Andrade e Marcello Tassara
Colaboração:
SISTEMA SANTA CECÍLIA DE RÁDIO E TV EDUCATIVAS
PRODUÇÃO UNISANTA
Realizado no
Midialab br/projeto FAPESP 2001
Curta-metragem – 21 minutos
PRÊMIO EXU JORGE AMADO
28ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia 2001


Eternamente Pagu

Por Daniela Nakamura
Acadêmica de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina

Insatisfação, rebeldia, inovação. Palavras que ajudam a definir o comportamento da escritora, jornalista e ativista política Patrícia Rehder Galvão, que usou o apelido Pagu, dado pelo poeta Raul Bopp, como um nome de guerra. Suas atitudes atrevidas já preocupavam seus pais, ricos e conservadores, desde quando estudava na escola normalista, em São Paulo. A alma provocadora ganha força quando é apresentada aos modernistas do movimento de 1922, como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Tinha pouco mais de vinte anos na época.

Eternamente Pagu mostra a trajetória de luta, talento e insatisfação dessa mulher visionária, indignada com os abusos do governo de Getúlio Vargas, com a exploração do proletariado e com a hipocrisia da burguesia brasileira. O filme, apesar de mostrar o talento literário de Pagu (Carla Camurati), e de ser permeado com seus versos e frases junto à trilha sonora, destaca mais a sua militância política – a participação em comícios e greves; o sofrimento durante as prisões e as viagens pelo mundo.

Pagu e Oswald de Andrade (Antônio Fagundes) se apaixonam, mas mantêm uma relação secreta, já que o poeta era casado com a pintora Tarsila do Amaral. Em 1930, os dois se casam, oficializam a todos a relação e têm um filho, Rudá. A separação foi um escândalo para a época. Pagu, numa viagem a Buenos Aires, conhece e entrevista “o cavaleiro da Esperança”, Luis Carlos Prestes, com quem sempre sonhava e de quem comentava com sua irmã, Sidéria (Nina de Pádua).

Oswald e Pagu, já filiados ao Partido Comunista, fundam o jornal O homem do povo, onde apontam a submissão e apatia das mulheres da burguesia, a exploração dos proletários e criticam os estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, reduto da burguesia, segundo eles, atrasada e hipócrita. A primeira prisão de Pagu retratada no filme acontece após sua participação em uma greve de estivadores (organizadores de cargas para embarque e desembarque nos portos) em Santos. Fora capturada pela polícia política de Getúlio Vargas.

Em 1935, Pagu foi presa novamente por ser comunista estrangeira, com identidade falsa. Consegue ser repatriada ao Brasil, mas ainda seria presa por relações com o Partido Comunista, e castigada por sua insubordinação às autoridades. No filme, um dos exemplos dessa desobediência ao poder instituído se dá quando o interventor federal Ademar Pereira de Barros, nomeado por Getúlio Vargas, visita a cadeia onde Pagu estava presa, e ao contrário do que fora ordenado pelos agentes prisionais, ela se nega a cumprimentá-lo.

Somente em 1940 consegue a liberdade, depois de quase morrer nas prisões. Nesse tempo em que é torturada, seu filho Ruda é criado por Oswald. Pagu então se desfilia do Partido Comunista e passa a defender o socialismo da linha de Leon Trotsky. O amor de Oswald e Pagu não foi capaz de resistir ao vai-e-vem das prisões, e Pagu acaba se casando com o jornalista Geraldo Ferraz (Otávio Augusto), que lhe possibilita que retome o seu trabalho e com quem fica até o fim dos seus dias. Com Geraldo, tem seu segundo filho, que fica com o mesmo nome do pai. Desesperada e decepcionada por estar doente dos pulmões, com limitações de viver a vida como uma aventura e de modo incerto, como sempre fez, Pagu tenta o suicídio, mas sobrevive. Sobre o caso, o filme traz as próprias palavras da escritora: “Uma bala ficou para trás, entre gazes e lembranças estraçalhadas”.

O filme é importante não só para saber quem foi Pagu, mas principalmente para entender um pouco do clima da época em que artistas tentavam conhecer melhor o país, criticando seus atrasos em meio à ditadura do Estado Novo, e denunciando a imitação cultural e os excessos na linguagem. Mostra-se ainda como um exemplo atual, de enfrentamento de abusos políticos, da irreverência e da luta por ideais. Eternamente Pagu foi indicado na categoria de Melhor Filme no Festival de Gramado de 1988 e venceu nas categorias de Melhor Atriz, com Carla Camurati e de Melhor Trilha Sonora.

FICHA TÉCNICA
Título original: Eternamente Pagu
Produção: Brasil, 1987
Direção: Norma Bengell
Duração: 101 min
Roteirista: Márcia de Almeida, Geraldo Carneiro, Norma Bengell
Trilha: Turíbio Santos, Roberto Gnatalli
Elenco: Carla Camurati, Antônio Fagundes, Esther Goés, Nina de Pádua, Otávio Augusto


Trata-se de EH Pagu, Eh! de Ivo Branco

Filme de 1982, curta metragem, conta um pouco da trajetória de Patricia Galvão, a Pagu, musa da segunda dentição da Antropofagia,casada com Oswald de Andrade com quem teve o filho Rudá de Andrade, tradutora e jornalista na France Press, secretária de O Homem do Povo e A Mulher do Povo, que mantinha com Oswald de Andrade.

Criou também o jornal Vanguarda Socialista com Geraldo Ferraz e Mario Pedrosa. e trabalhou ainda em jornais como A Tribuna de Santos, onde colaborou com seu segundo marido Geraldo Ferraz, com quem teve o filho Geraldo Galvão Ferraz, o Kiko Ferraz. Presa na ditadura de Getulio Vargas por ser do PCB, Pagu permaneceu na cadeia por 5 anos e foi barbaramente torturada , sendo a primeira presa politica do Brasil.

O filme conta com a participação de Edith Siqueira como Pagu, além de fotos de época mostrando personagens como Luis Carlos Prestes, importante na trajetória de Pagu, pequenos trechos de suas falas, alguns de seus escritos e croquis e fotos de Pagu além de fotos familiares desde pequena até seus dois casamentos.

FICHA TÉCNICA
País: Brasil
Duração: 15′
Diretor: Ivo Branco
Produtor: Rebeca Mc Mello
Ano: 1982
TEMA: Biografia
Formato: HD
Montagem: Francisco Magaldi
Som Direto: Guga Bandeira
Fotografia: José Roberto Sadek
Pesquisas Fotográficas: Ivo Branco, Paulo Cesar DE Azevedo, Vladimir Sacheta
Prêmios:
Melhor Curta no Festival de Brasília 1982, Melhor Roteiro de Curta no Festival de Brasília 1982, Prêmio Estímulo da Secretaria de Estado da Cultura/SP 1982
Tags: antropofagia, ditadura, pcb
Esse filme também pode ser visto em curtadoc.tv


Crônica Não tenha Medo do Escuro de Patrícia Galvão – Pagu

A crônica Não tenha Medo do Escuro, é uma carta de amor ao filho Rudá, que marca o encontro de ambos, após muitos anos separados.

      Vão aqui os dedos ao encontro da parede, dos cabelos amados, do sorriso que não vejo, ó lua negra na noite destrelada, passos que vêm agora, que vão, palavras em língua estranha me servem chá preto, pão preto, arroz preto, verduras pretas. E a noite noturna vagando este coração todo escaninho aberto às brisas punhais da lembrança, do azul, do amarelo, do branco, daquela rede trançada, os quadros muito amados, a paisagem, a velha parede, as folhas. Nenhuma lágrima a não ser este amargo canto negro que sobe na noite e vem servir de berceuse, sentimento abstrato de que me sirvo para me lembrar muitas vezes de meus olhos…

**

Quereria lhe escrever Rudá nestas linhas a minha carta de amor da noite em que estamos perdidamente clandestinos no barco imenso que bóia sobre as águas do mundo tomado de dilúvio. Rios correm pelos sulcos de todos os países, bichinhos humanos pequeninos sem mãos adultas puxando seus passos infantes, e nós com a obrigação de amar-nos por nós e por todos nesta enseada onde bóia o grande barco agora chegado a nenhum cais. Não é lamento nem sofrimento – é apenas a constatação. Sei que me vês assim mesmo na noite. Cheguei com as mãos cheias de cravos. Ouvirás apenas o rumor silencioso deste perfume que sobe das pétalas de joelhos aos seus pés meu pequenino.

     Quereria lhe escrever esta carta de amor que não passará da noite noturna de nossas mãos unidas sobre estrelas mortas, vazios desertos, espaços sem mundos estelares, vácuo e silêncio, embora apenas se percebam os ruídos do outro lado. Do outro lado da parede. [i]

[i] Patrícia GALVÃO, Não tenha Medo do Escuro, Diário de São Paulo, 30/11/1947.